A entrevista de António Costa, esta segunda-feira no Jornal das 8, começou com um primeiro-ministro a fugir a uma heteroavaliação à escala de susto em que se encontra. Segundo Costa basta “ter consciência do problema e evitar pânico generalizado”

A falta de material e pessoal médico foi o primeiro tema em destque da entrevista conduziada por Miguel Sousa Tavares e José Alberto Carvalho. António Costa garantiu que "não faltou nada e não temos nada que diga que irá faltar".

O primeiro-ministro disse ainda que há ainda uma margem na reposta do SNS e que essa "folga" continua a aumentar, anunciando a aquisição de mais de 10 milhões de dólares de material médico, onde se incluem 500 ventiladores adquiridos à China.

Foram doados por empresas chinesas, e entregues na embaixada em Pequim, 78 ventiladores", revelou António Costa.

O primeiro-ministro anunciou ainda que podem der transferidos doentes, não relacionados com o novo coronavírus do setor publico para o privado, garantindo ainda que "as Forças Armadas têm 2 mil camas de reserva". Sobre a capacidade de resposta do exército anunciou ainda a abertura na segunda-feira do Hospital Militar de Infecciologia na Ajuda, em Lisboa.

Durante vários momentos da entrevista garantiu que o SNS está a ganhar capacidade de resposta na saúde para "evitar o pico acentuado que pode levar a rotura dos hospitais". António Costa garante mesmo que "no pior dos cenários, com a capacidade que temos, nunca perderemos o controlo da situação".

No pior dos cenários, com a capacidade que temos, nunca perderemos o controlo da situação", garante o primeiro-ministro em entrevista à TVI.

Agradecimentos aos portugueses entre as 9 detenções

Ao longo da entrevista, António Costa agradeceu o comportamento exemplar dos portugueses, afirmando que sem isso "não seria possível conter a epidemia". Mas entre a mensagens de bom comportamento enviadas aos portugueses anunciou mais nove detenções por desobediância. Apesar de a GNR falar em oito detenções a que se juntam às cinco da PSP.

Testes, testes e testes

A capacidade de testar o maior número de pessoas está a ser apontado como um dos protocolos que ajuda a baixar o número de infetados. Sobre a capacidade de testes no SNS, António Costa garantiu que há capacidade para fazer 10 mil testes por dia.

O primeiro-ministro anunciou que foram comprados 290 mil testes, sendo que “80 mil chegam até ao final desta semana”. Está ainda a ser estudada a compra de testes rápidos que estão a ser desenvolvidos em Itália.

Mais um navio que “encalhou” nas restrições do Governo

O facto de um navio transatlântico ter atarcado em Lisboa, contra as medidas tomadas pelo governo foi outro dos temas em destaque. António Costa diz que se tratou “de uma questão humanitária” porque navegava há um mês em alto mar.

O primeiro-ministro defendeu a necessidade de garantir o bem-estar dos portugueses que estavam a bordo e garantiu que todos os passageiros só saíram do navio para serem repatriados.

Temos de perceber que há outros estrangeiros que também querem voltar a casa, como os nossos 30 mil compatriotas espalhados pelo mundo", apelou António Costa

Bons exemplos das escolas, com "reavaliação a 9 de abril"

António Costa reconheceu que é da educação que vêem bons exemplos sobre a forma como é gerida a quarentena. António Costa admitiu fazer uma reavalição do calendário escolar e tomar uma nova decisão a 9 de abril.

Para o final, o primeiro-ministro guardou uma mensagem de esperança e diz mesmo: "espero puder voltar a abraçar as pessoas". António Costa só lamentou o facto de "as pessoas olharem para o chão, enquanto caminham, como se o olhar transmitisse o vírus".

Não vai ser um mar de rosas, mas se nos mantivermos juntos e unidos vamos vencer o vírus e esta crise económica", disse António Costa.

Sobre o estado de emergência a "os maus exemplos de Vila do Conde e Povoa do Varzim", António Costa garantiu que sabe o que acarreta um estado de emergência, sabe que tem que ser prudente mas não deixa de lado "endurecer as medidas".

João Guilherme Ferreira / ATUALIZADO 22:08