O presidente do PSD reagiu esta quinta-feira, em entrevista à TVI, à data escolhida pelo Presidente da República para a data das eleições legislativas. Marcelo Rebelo de Sousa marcou o sufrágio para 30 de janeiro, alegando a necessidade de debates, que não deveriam ocorrer no tempo de Natal ou Ano Novo. Rui Rio tinha sido bastante crítico de uma data tardia, chegando a sugerir que isso podia beneficiar Paulo Rangel, seu oponente direto nas diretas de 4 de dezembro.

Está decidido. Há que ir em frente. O que disse, disse lá atrás. Ponto final, parágrafo. Mudei a página, até mudei de capítulo", afirmou, depois de lhe ser perguntado como reagia à data.

Questionado sobre a "pressa em ter as eleições mais cedo", Rui Rio, que preferia a data de 16 de janeiro, lembra que o Governo que tomar posse terá quase cinco meses para ver o Orçamento do Estado aplicado.

Ainda sobre a escolha da data, Rui Rio diz que é tempo de "nos adaptarmos a isso", não sei antes referir que devem ser os partidos a fazer uma adaptação à vida política, e não o contrário. Depois, voltou a referir que virou a página: "Pus um ponto final a isso".

Relativamente à decisão da data, ela é 30 de janeiro. Cá estamos para tratar dos assuntos todos, a entrega das listas, a campanha eleitoral", acrescentou.

Voltando às diretas no PSD, Rui Rio anunciou que vai “tentar comprimir” os prazos das eleições e do Congresso do partido para diminuir o tempo que o PS tem “a seu favor” para as legislativas de 30 de janeiro.

Em entrevista à TVI, Rio voltou a defender que para ser “como devia ser”, o PSD devia estar “sem tumultos internos, todos unidos, todos focados para derrotar o PS em janeiro”, e aproveitar os meses de novembro, dezembro e janeiro para essa tarefa.

Estão a dizer que, se fizer isso, se suspende a democracia e que tenho medo de eleições. Então, vou fazer um exercício - não sei se consigo, vamos ver se consigo - de comprimir isto tudo, diretas e congresso. Se se ganhar uma ou duas semanas é tempo que tiramos ao PS a nosso favor”, defendeu.

O Orçamento do Estado para 2022 foi chumbado logo na votação na generalidade, em 27 de outubro, com votos contra de PSD, BE, PCP, CDS-PP, PEV, Chega e Iniciativa Liberal. Teve votos a favor apenas da bancada do PS e abstenções do PAN e das deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues.

O chefe de Estado avisou para um cenário de dissolução duas semanas antes, em 13 de outubro, depois de PCP e BE acenarem com o voto contra, afirmando que um chumbo da proposta do Governo minoritário do PS "muito provavelmente" conduziria a eleições legislativas antecipadas, que estimou que se realizariam em janeiro.

António Guimarães