O Presidente da República falou esta quarta-feira ao país, no final de uma reunião com epidemiologistas no Infarmed, sobre a pandemia de Covid-19 em Portugal. Marcelo assinalou que o país está agora em fase de transição no modelo adotado e que as medidas a adotar no futuro terão de ser "de pormenor", nomeadamente para fazer face aos surtos na região de Lisboa e Vale do Tejo. O Presidente assinalou ainda que se verificou uma tendência para a estabilização e "ligeira descida" dos casos de Covid-19 no país.

Marcelo Rebelo de Sousa revelou ainda que, neste encontro - o último de dez - foi divulgado um novo estudo que parece demonstrar que "não há ligação" entre o transporte ferroviário e os surtos na região de Lisboa e Vale do Tejo. O Presidente também esclareceu que esta reunião no Infarmed foi a última "de uma fase" porque, na próximas semanas, é necessário passar "do plano macro para o plano micro", elogiando a "total transparência" destes encontros entre autoridades de saúde e decisores políticos.

Terminamos hoje uma experiência de vários meses, iniciada no final de março, em pleno estado de emergência. E é possível dizer desde já que foi muito importante, desde logo na primeira fase, este conjunto de sessões epidemiológicas, o contacto aberto entre especialistas e decisores públicos", sublinhou o Presidente. "É o máximo da transparência que se pode imaginar num exercício destes. Portanto, valeu a pena fazer esse exercício"

A orientação é hoje, olhando aos estudos, intervir de forma específica", referiu Marcelo no início da sua intervenção. "Como naturalmente se compreenderá, a região de Lisboa e Vale do Tejo mereceu particular atenção". 

O Presidente detalhou depois "alguns indicadores", revelando que a coabitação é o fator mais importante em termos de contágio, logo depois da convivência social, "que tem vindo a ganhar importância". Marcelo Rebelo de Sousa revelou também os índices de transmissão da Covid-19, explicando que, a nível nacional, o "R" é de 0,8 e na região de Lisboa está em 0,7.

Olhando para os últimos dias, o que foi dito é que há uma estabilização e uma tendência, embora ligeira, de aparente descida, porventura fruto das medidas tomadas, sendo embora muito cedo para fazer uma avaliação definitiva"

O Presidente deu ainda dados sobre a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.

Há dados interessantes. Como o tempo mediano de internamento, que está hoje entre os 10 e os 11 dias no internamento geral e os 17 e os 19 dias nos cuidados intensivos. O que, para um cenário que se pode considerar relativamente pessimista, de 338 casos diários novos, haveria um número de internados em média de 39 e um cálculo total de 607 internamentos globais, 91 em cuidados intensivos, bem dentro da capacidade global do SNS", assinalou.

Marcelo disse ainda que foram dadas informações sobre a atuação do Gabinete Regional de Intervenção na região de Lisboa, assinalando que houve um aumento de 40% do número de recursos humanos no terreno. O Presidente foi ainda informado de que o primeiro estudo serológico em Portugal estará pronto no final de julho e que lhe foi dada conta do estudo epidemiológico que "levará mais longe" a comparação da situação socioeconómica e atividades socioeconómicas entre as várias regiões. "É muito diverso o panorama no distrito do Porto e no distrito de Lisboa, no Porto com importância na restauração e atividade da indústria, no distrito de Lisboa no comércio e circulação", explicou o Presidente. 

Sobre a região de Lisboa e Vale do Tejo, o chefe de Estado explicou ainda que a situação da pandemia se explica por estarmos perante uma realidade "que não é homogénea": "Pesa a própria inserção de comunidades não nacionais, africanas, latino-americanas ou asiáticas com a sua especificidade", referiu. 

As medidas necessárias têm de ser de pormenor, específicas", sublinhou. "Um modelo diferente do modelo inicial", detalhou ainda o Presidente, importante para "prevenir uma segunda vaga que ainda não chegou". 

Noutros países, chega-se a fábricas, a ruas, a quarteirões, a bairros, chega-se a formas de intervenção muito micro, e em que naturalmente os responsáveis políticos e administrativos e autoridades sanitárias estarão mais presentes ainda no terreno", apontou Marcelo.

Portugal regista nesta altura 1.631 vítimas mortais e um total de 44.859 casos de infeção por Covid-19.

Bárbara Cruz