Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta quarta-feira que "o problema do cidadão comum" causado pela crise dos combustíveis "não é resolvido pelos serviços mínimos" e, por isso, "é preciso que as duas partes continuem a falar".

 O problema do cidadão comum não é resolvido pelos serviços mínimos, é preciso que as duas partes continuem a falar e que o Governo as ajude a falar".

O Presidente da República afirmou ainda que "faz sentido pensar na eventual ampliação dos serviços mínimos" ao resto do país e a outras atividades, lembrando que esta greve se trata de um conflito entre privados e que por isso é muito importante que o diálogo avance "senão daqui a uma semana temos o mesmo problema".

"Há duas prioridades: a primeira é garantir que os serviços mínimos funcionam mesmo e que os serviços mínimos são de tal forma amplos que cobrem aquelas necessidades coletivas que verdadeiramente justificam esses serviços mínimos. Faz sentido pensar na eventual ampliação dos serviços mínimos não só a todo o país, mas também a outras atividades", acrescentou.

A greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Na segunda-feira, gerou-se a corrida aos postos de abastecimento de combustíveis, provocando o caos nas vias de trânsito.

A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) informou hoje que não foi ainda retomado o abastecimento dos postos de combustível, apesar da requisição civil, e que já há marcas “praticamente” com a rede esgotada.

O primeiro-ministro admitiu hoje alargar os serviços mínimos e adiantou que o abastecimento de combustível está “inteiramente assegurado” para aeroportos, forças de segurança e emergência.

Na terça-feira, alegando o não cumprimento dos serviços mínimos decretados, o Governo avançou com a requisição civil, definindo que até quinta-feira os trabalhadores a requisitar devem corresponder “aos que se disponibilizem para assegurar funções em serviços mínimos e, na sua ausência ou insuficiência, os que constem da escala de serviço”.

No final da tarde de terça-feira, o Governo declarou a “situação de alerta” devido à greve, avançando com medidas excecionais para garantir os abastecimentos e, numa reunião durante a noite com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e o sindicato, foram definidos os serviços mínimos.

Militares da GNR estão de prevenção em vários pontos do país para que os camiões com combustível possam abastecer e sair dos parques sem afetarem a circulação rodoviária.