Rui Rio reuniu-se, esta noite, com Marcelo Rebelo de Sousa, no Porto, horas depois de o ex-líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, ter apresentado a candidatura à liderança do partido.

Rio e Marcelo encontraram-se no hotel Sheraton, pelas 19:30, entre compromissos de agenda do chefe de Estado.

À saída do encontro, o líder do PSD revelou que a reunião aconteceu a pedido do chefe de Estado para discutir assuntos nacionais e porque já não se reuniam "há algum tempo".

Tive apenas um encontro com o Presidente da República que não tinha já há algum tempo, desde que a delegação do PSD foi recebida em Belém. O Presidente da República veio aqui ao Porto, eu estava aqui no Porto e ajustou-se esta reunião. Passámos, naturalmente, em revista uma série de assuntos quer de política interna, quer de política externa."

Sobre o tema do momento, Rio disse apenas que não ia fingir que "nada aconteceu".

Eu vou responder, naturalmente, não vou fazer de conta que nada está a acontecer, seria uma grande hipocrisia. Eu fui corredor de 100 metros, mas quando tinha 20 anos, agora é mais meio fundo e fundo, portanto, com calma e na devida altura."

Minutos após o fim do encontro, a Presidência da República anunciou que, na próxima segunda-feira, Marcelo Rebelo de Sousa vai receber Luís Montenegro, a pedido deste, no Palácio de Belém.

Os opositores à liderança de Rui Rio já terão recolhido as assinaturas necessárias para a convocação de um conselho nacional extraordinário, de modo a iniciar o processo de destituição do presidente do PSD.

Na quinta-feira, questionado sobre a divisão interna no Partido Social-Democrata, Marcelo disse que não iria pronunciar-se sobre o assunto.

Rui Rio anunciou, esta semana, que, em 2018, entraram no PSD 5.821 militantes e saíram apenas 872, segundo dados recolhidos pela secretaria-geral, um terço dos quais jovens.

Questionado se estes números são um sinal de que a sua estratégia na liderança – prestes a completar um ano – está correta, Rio disse que apenas faz “uma ligação indireta” entre os dois temas.

A minha estratégia não tem de mudar, é a minha convicção e da direção nacional, afirmou.

Rui Rio foi eleito presidente do PSD em 13 de janeiro do ano passado, depois de ganhar a corrida a Pedro Santana Lopes, que venceu com 54% dos votos.

Apesar de Rio ter mais um ano de mandato pela frente, Luís Montenegro defende a realização de “eleições já”.

A antecipação do calendário eleitoral terá de passar por uma deliberação do conselho nacional, estando em curso o movimento de algumas distritais de recolha de assinaturas com vista à apresentação de uma moção de censura à direção de Rui Rio.

Nas últimas diretas, Montenegro apoiou Santana Lopes contra Rui Rio na reta final da campanha interna e, no Congresso de fevereiro, assumiu-se como uma reserva para o futuro, depois de ter considerado em outubro de 2017 “não estarem reunidas as condições pessoais e políticas” para disputar então a liderança do PSD, na sequência da saída de Passos Coelho.

Quando deixou o Parlamento, em 5 de abril de 2018, Luís Montenegro afirmou que o seu desejo era que o presidente do partido fosse primeiro-ministro em 2019, considerando “um erro colossal” colocar a hipótese de Rui Rio não terminar o mandato.