A ministra da Saúde afirmou hoje que o encerramento imediato das escolas é uma possibilidade face à situação epidemiológica do país, que se agravou nos últimos dias, uma medida que deve ser analisada esta quinta-feira em Conselho de Ministros.

“Há momentos, no regresso do primeiro-ministro de reuniões no exterior, fizemos uma reunião por `zoom´ e estivemos a discutir vária informação que hoje, ao final da tarde, o grupo de peritos, de epidemiologistas e técnicos de saúde que habitualmente connosco reúne no Infarmed, nos ransmitiu”, afirmou Marta Temido na RTP3.

Questionada se “em cima da mesa está a possibilidade de fechar, de imediato, as escolas”, a ministra da saúde respondeu que “sim”.

Segundo Marta Temido, a reunião de hoje com os especialistas trouxe “algumas alterações” às estimativas anteriores, o que “obrigará a novas reflexões sobre medidas a tomar” para controlar a pandemia da covid-19.

Essas medidas que foram hoje acertadas entre alguns ministros como possíveis, amanhã [quinta-feira] serão discutidas em Conselho de Ministros e depois serão transmitidas pelo primeiro-ministro aos portugueses”, afirmou Marta Temido.

Questionada sobre se o eventual encerramento das escolas poderá abranger os vários níveis de ensino, Marta Temido respondeu que está será uma “discussão pormenorizadamente feita em Conselho de Ministros, porque há vários aspetos que têm de ser ponderados”.

A ministra da Saúde salientou que a situação da pandemia em Portugal agravou-se nos últimos dias, em grande medida devido à variante inglesa do novo coronavírus, considerada mais facilmente transmissível.

Segundo disse, na semana passada, na reunião no Infarmed, o Instituto de Saúde Pública Ricardo Jorge apresentou as sequenciações de amostras positivas de SARS-CoV-2 enviadas por laboratórios do país, com uma “percentagem atribuível à variante inglesa de 8%”.

Nós, neste momento, estimamos que já possam ser 20% os casos de infeção que são atribuíveis a esta variante e estima-se que possa atingir, pelo seu poder replicativo, 60% dentro de mais uma semana, até final do mês, o que muda muita coisa”, indicou.

Marcelo considera encerramento "uma boa solução"

O Presidente da República e recandidato ao cargo, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou na quarta-feira à noite que o encerramento das escolas "é uma boa solução, se for essa que for adotada no Conselho de Ministros".

No final de uma entrevista ao Porto Canal, foi pedido a Marcelo Rebelo de Sousa que comentasse a notícia de que "a ministra da Saúde acabou de anunciar que as escolas vão mesmo fechar" - Marta Temido, de facto, apenas admitiu que essa é uma possibilidade que será analisada na quinta-feira em Conselho de Ministros.

"Como imagina, eu já tinha uma noção de que poderia acontecer. Eu penso que é uma boa solução, se for essa que for adotada no Conselho de Ministros, e pelos vistos a senhora ministra anunciou", reagiu o chefe de Estado e candidato presidencial.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "é uma boa solução" encerrar as escolas porque "não é fácil distinguir entre ciclos e fechar A, não fechar B, fechar C, não fechar D" e porque "a disseminação social está a entrar nas escolas".

O número de turmas que estão em casa aumentou muito substancialmente nos últimos tempos, e alguns dos testes que começaram a ser feitos nas escolas parecem apontar para a prudência desse tipo de medidas. Mas está a dar-me a notícia. Eu não era suposto sabê-la e muito menos comentá-la aqui antes de o Governo decidir", acrescentou.

Hoje, durante uma ação de campanha na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa disse perante um conjunto de alunos que o Governo iria ponderar entre hoje e quinta-feira o eventual encerramento das escolas, podendo tomar uma decisão antes da sessão alargada com epidemiologistas marcada para terça-feira.

"É uma questão que se vai colocar entre hoje e amanhã [quinta-feira] - não foi antes porque o primeiro-ministro não está em território português", adiantou, referindo que António Costa regressava na quarta-feira de Bruxelas, onde esteve a apresentar o programa da presidência portuguesa da União Europeia.

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