Marcelo Rebelo de Sousa seria eleito à primeira volta se as eleições presidenciais se realizassem hoje. Nesta segunda sondagem da Pitagórica para a TVI e jornal Observador, o atual Presidente da República vai à frente, de forma destacada, com 68% das intenções de voto. Em relação à primeira sondagem, Marcelo Rebelo de Sousa regista uma ligeira quebra de 0,9%. Não é, por isso, de estranhar que tenha havido um deslizar de 5 pontos percentuais, de 69% para 64% dos inquiridos que faz uma avaliação positiva do seu trabalho como Presidente da República. Apenas 8% faz uma má avaliação das suas funções como chefe da nação, uma quebra de 1 ponto percentual em relação à anterior sondagem.

 

Na sondagem, que tem uma margem de erro de 3,99%, Marcelo Rebelo de Sousa venceria as eleições mesmo sem a distribuição pelos candidatos de 16,5% dos atuais indecisos, ao colher 55,3% das intenções de voto. Esta sondagem antecipa 2,1% de votos brancos e nulos. E sobre a existência de uma ou de duas voltas eleitorais, o assunto parece estar totalmente arrumado com 84% dos inquiridos a achar que a estrela em Belém vai continuar a ser Marcelo Rebelo de Sousa a 24 de janeiro e 82% a desejar esse cenário.

Se nesta corrida presidencial parece haver um vencedor indiscutível, já o segundo lugar do pódio está a ser bastante mais disputado. Um dos novos dados a destacar nesta sondagem é a subida do candidato André Ventura, que se aproxima mais de Ana Gomes. O líder do partido Chega está em terceiro lugar com 10,7% dos votos (tinha 9,0% das intenções de voto na anterior sondagem) e a candidata socialista com 10,9% das intenções de voto, segura a segunda posição, apesar de uma ligeira derrapagem, pois estava com 11% dos votos.

Mas apesar da subida de André Ventura, os inquiridos acreditam que o segundo lugar destas eleições pertence a Ana Gomes. À pergunta sobre quem fica na segunda posição nas presidenciais, 53% dos inquiridos acredita que será a socialista Ana Gomes e apenas 18% está convicto de que será André Ventura.

Voltando às intenções de voto nestas presidenciais, a bloquista Marisa Matias aparece na quarta posição do ranking ao convencer apenas 5,1% dos eleitores e não aparenta ser, nesta altura, uma ameaça à disputa por um lugar no pódio. A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda é quem mais desce nas intenções de voto desta sondagem, já que antes convencia 6,5% dos inquiridos. E sobre um lugar mais alto no quadro, apenas 8% considera que poderá alcançar um segundo lugar nestas eleições.

Numa altura em que ainda falta quase um mês para as eleições marcadas para 24 de janeiro, o comunista João Ferreira surge inabalável com 3,5% das intenções de voto e o candidato liberal Tiago Mayan não vai além de 1% das intenções de voto. Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, não surge muito distante do candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, conquistando nesta sondagem da Pitagórica 0,8% das intenções de voto.

E, por onde andam os votos do eleitorado português? A deslocação de votos partidários numas eleições presidenciais em que o vencedor parece já estar mais do que escolhido levanta a questão sobre quem vota em quem.  De acordo com a sondagem da Pitagórica para a TVI e jornal Observador, é nos eleitores do PS nas Legislativas de 2019 que Marcelo vai buscar 71% dos votos, mais do que ao próprio PSD, onde conquista 66% dos inquiridos. De referir ainda que recandidato Marcelo Rebelo de Sousa convence apenas 52% dos votantes no CDS-PP, partido que lhe prestou apoio público depois de um aceso debate interno na comissão politica liderada por Francisco Rodrigues dos Santos. Aliás, segundo esta sondagem, 29% dos inquiridos centristas prefere votar em André Ventura.

 

O que acham os portugueses da atuação de Marcelo Rebelo de Sousa relativamente à atuação do Governo? Apesar de manifestarem intenção de voto no atual presidente, 66% dos inquiridos considera que Marcelo Rebelo de Sousa devia exigir mais do Governo de António Costa. Nesta sondagem, os 42% dos inquiridos diz confiar mais no presidente da República do que no primeiro-ministro, mas 44% admite confiar em ambos de igual forma.

Se tivermos por base as transferências de votos nas eleições Legislativas de 2019, Ana Gomes recebe nestas eleições presidenciais apenas 5,4% dos votantes no PS que elegeu António Costa como primeiro-ministro, mas Marcelo Rebelo de Sousa recebe uma transferência de votos de 27%. Neste capítulo das viagens de boletins de voto, de registar também que 3,5% dos votantes em André Ventura nestas presidenciais votaram em Rui Rio nas últimas Legislativas.

Quando temos em conta a notoriedade dos candidatos nestas eleições presidenciais, Marcelo Rebelo de Sousa é o campeão absoluto, ao alcançar 100%, seguido de André Ventura, que obteve 95,1% de notoriedade. Marisa Matias surge em terceiro lugar, à frente de Ana Gomes. De sublinhar que o candidato Vitorino Silva surge com mais notoriedade do que o comunista João Ferreira, mas quando olhamos para a tabela de rejeição dos candidatos, é o Tino de Rans quem a lidera, seguindo-se o candidato Orlando Cruz, que já desistiu e, desta forma, já não conta nesta corrida a Belém. Na tabela das rejeições, a bloquista Marisa Matias regista um aumento e agora tem 50% do eleitorado a rejeitá-la. Nesta tabela negra, apenas Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes ficam abaixo dos 50%, ou seja, passaram no teste com nota positiva.

 

 

FICHA TÉCNICA

O trabalho de campo decorreu entre os dias 10-13 e 17-20 Dezembro 20202. Foi recolhida uma amostra total de 629 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,0%.A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos 3 principais operadores identificados pelo relatório da ANACOM, sempre que necessário são selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI –Computer Assisted Telephone Interviewing).

O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores Portugueses, sobre temas relacionados com as eleições , nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto nos vários partidos.

A taxa de resposta foi de 55,03% . A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva.

A taxa de abstenção na sondagem é de 56,6%a que correspondem os entrevistados que aquando do momento inicial se recusaram a responder à entrevista por não pretenderem votar nesta eleição.

A Ficha técnica completa bem como todos os resultados foram disponibilizados junto da Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizara oportunamente para consulta online.

Paula Oliveira