A candidata presidencial Ana Gomes levou esta sexta-feira do mercado de Matosinhos sementes de cravo para plantar em Belém e algumas promessas de votos de “mulheres de trabalho”, mas deixou recados com espinhos ao adversário André Ventura.

Depois de terem entrado em vigor medidas mais restritas de confinamento, à meia-noite, a antiga eurodeputada escolheu ir ao mercado local, que faz parte dos estabelecimentos que podem estar abertos.

O mercado é obviamente emblemático. Muitas das pessoas com quem aqui falei são mulheres e é também a mensagem que levo daqui: nós mulheres de trabalho podemos fazer a diferença”, afirmou, dizendo que este “ânimo” é muito mais importante do que o resultado de qualquer sondagem.

De uma jovem que foi de propósito ao mercado para a cumprimentar, Ana Gomes recebeu sementes de cravos, “vermelhos, mas não só, porque a diversidade é muito importante”.

E a propósito de vermelho, a diplomata foi questionada sobre a razão de se ter associado ao movimento de apoio à candidata Marisa Matias #VermelhoemBelem, e ter publicado um vídeo no Twitter a pintar os lábios de vermelho, contra os insultos do também concorrente a Belém André Ventura.

É intolerável os ataques que são feitos a outros candidatos na base de preconceitos machistas e outros, não alinho com eles e estou com todas as mulheres e homens progressistas deste país que ousam afirmar que o vermelho em Belém faz a diferença”, explicou.

Mas esta não foi a única referência a Ventura durante a visita ao mercado, com a candidata a responder às mais recentes críticas do líder do Chega, que disse que Ana Gomes “não seria bem-vinda”.

Na Alemanha nazi é que houve pessoas, judeus, negros, ciganos… De repente a lei excluiu-os da cidadania, a solução de excluir pessoas é a receita para a violência”, explicava a uma vendedora de fruta.

 

Ele é como Hitler”, respondeu a vendedora Conceição Silva. “Exatamente”, acrescentou Ana Gomes.

A vendedora, desiludida com o atual Presidente e recandidato Marcelo Rebelo de Sousa, disse que antes da visita estava indecisa “entre dois” dos candidatos, pediu combate à corrupção, e pareceu ficar convencida com os argumentos da socialista.

Há os que fazem no dia a dia o combate à corrupção e outros que são financiados por corruptos”, disse Ana Gomes, que tem o apoio oficial de Livre e PAN.

Num mercado com galinhas vivas e muito peixe fresco, Ana Gomes foi desafiada a dizer que peixe seria e escolheu a pescada porque “antes de ser já o era” e “fica bem na mesa de pobres e ricos”, mas recusou os polvos na política.

Há muitos polvos e não é nesta campanha apenas, é no país. Podiam ser como os da nossa costa, úteis para os portugueses, mas há outros que estrangulam o desenvolvimento do país, como o polvo da corrupção, o polvo da falta de justiça”, alertou.

Na visita não podia faltar a popular canção “Senhor de Matosinhos”, que Ana Gomes tratou de adaptar.

Muito obrigada, com a força do senhor e das senhoras de Matosinhos”, agradeceu.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

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