Rui Rio voltou às tertúlias em Leiria e desta vez com casa cheia no Mercado de Sant'Ana. Acompanhado dos líderes da distrital, o presidente do PSD chegou ao local cerca de 15 minutos depois da hora marcada e tinha à sua espera Henrique Neto, antigo deputado socialista, que aceitou o convite para participar na tertúlia.

"Eu vim porque me convidaram, porque se não me convidassem, não vinha. E vim porque não era um comício, era para debater ideias onde eu penso que posso ser útil, expressando também aquilo que penso sobre os diferentes programas do país. Se o faço, faço-o com o PSD, mas faço-o com qualquer partido. Tenho muito gosto em discutir os problemas do país porque quando há uma oportunidade de discutir a sério de uma maneira inteligente e calma. Porque comícios não vale a pena", afirmou Henrique Neto, já no final do encontro, confessando sentir-se mais próximo de Rui Rio do que António Costa.

Um encontro que contou com cerca de 400 pessoas (e durou cerca de duas horas e meia que nem todos aguentaram) onde Rui Rio voltou aos temas do dia: Costa e Tancos. Comentando as últimas declarações do líder socialista, o presidente do PSD acusou Costa de não ter resposta para as perguntas que lhe fez durante a tarde.

“O primeiro-ministro está a comentar aquilo que eu não disse porque não tem resposta para aquilo que eu disse. Não me antecipei a nenhum tribunal, nem quebrei a presunção de inocência de ninguém (…) Do ponto de vista político temos o direito e, até como partido de oposição, o dever de perguntar ao primeiro-ministro se sabia ou não sabia”.

Garantindo que as perguntas a Costa sobre Tancos nada têm a ver com "substituir" os "tribunais ou fazer julgamentos populares, é eminentemente político, é uma pergunta que se coloca e uma dedução que se faz em função da sua resposta".

“Se os portugueses votarem no PS e o dr. António Costa voltar a ser primeiro-ministro, ficam a saber que ele constitui um Governo em que os ministros, com a maior das facilidades, não lhe contam exatamente tudo o que de relevante lhe pode acontecer no Ministério”, repetiu em Évora a ideia que já tinha deixado nas Caldas da Rainha durante a tarde.

Aliás, repetir, foi palavra de ordem, até para esclarecer as dúvidas que acredita que as declarações em Beja podem ter gerado.

"Eu ontem em Beja disse uma coisa que hoje alguns terão interpretado ao contrário. Eu disse "eu posso cair, mas caio de pé". E maldosamente, disseram logo: ele já está a dizer que pode perder as eleições e cai de pé. Não era nada disso que eu estava a dizer. O que eu estava em Beja a dizer era que devemos ter a coragem de fazer isto e que eu vou ter a coragem de fazer isto e que se depois cair, caio de pé porque fiz isto. Não é porque perco as eleições amanhã", afirmou.

A campanha social democrata continua esta sexta-feira nos distritos de Castelo Branco e Braga.

Andreia Miranda