A diretora-geral da Saúde revelou esta segunda-feira, na conferência de imprensa de balanço da pandemia de covid-19 em Portugal, que a vacina da Pfizer é uma das que Portugal prevê adquirir, ao abrigo dos mecanismos europeus de distribuição das vacinas contra a covid-19.

A Pfizer anunciou hoje que a vacina contra a covid-19 que está a desenvolver com a BioNTech demonstrou ter 90% de eficácia na última fase dos ensaios clínicos e poderá estar disponível antes do final do ano. 

Portugal está nos mecanimos de aquisição", disse Graça Freitas, admitindo que, se se verificar a eficácia da vacina, será "das melhores que teremos" para combater a pandemia, uma vez que "as que utilizamos atualmente nem todas têm essa eficácia"

A diretora-geral da Saúde sublinhou ainda, sobre os contágios em Portugal, que 60% a 70% dos casos se transmitem através de convívio familiar ou social e chamou a atenção para o momento "extremamente crítico" das refeições, pedindo aos portugueses que partilhem refeições apenas com o "núcleo familiar básico, aqueles que vivem na nossa casa".

Graça Freitas pediu ainda que se evitem testes à covid-19 sem prescrição médica, garantindo que Portugal "testa muito" e sempre que existe necessidade. 

DGS avança que dados sobre concelhos vão ser atualizados esta semana

A diretora-geral da Saúde anunciou que esta semana vão ser atualizados os dados das infeções de covid-19 nos concelhos, considerando que esta informação está a ser recolhida com “maior a qualidade possível”.

Estamos a compilar informação com a maior qualidade possível através do sistema que temos com os serviços partilhados do Ministério da Saúde para conseguir apurar dados por concelho o mais certo e o mais próximo da realidade possível”, disse Graça Freitas, na conferência de imprensa de atualização de informação relativa à covid-19.

A diretora-geral da Saúde avançou que “esta semana” serão atualizados os dados por concelho e frisou que “é uma metodologia que merece muita atenção e será publicada na altura certa”.

Segundo Graça Freitas, a informação que está a ser usada tem por base a taxa de incidência de novos casos registados nos últimos 14 dias por 100 mil habitantes.

Este “parâmetro internacional”, que tem como “linha de corte” os 240 casos por 100 mil habitantes, foi o utilizado pelo Governo para aplicação de medidas do novo estado de emergência em 121 concelhos.

Neste momento há 121 concelhos que estão nessa situação. É uma situação dinâmica, o que quer dizer que alguns destes concelhos vão continuar a permanecer neste patamar, outros vão sair da lista e outros vão entrar de novo”, sustentou.

Na parte inicial da conferência de imprensa, Graça Freitas recordou novamente quais os sintomas de covid-19 e o que deve fazer um caso suspeito.

Os sintomas são tosse, uma tosse que surge de novo ou que agrava ou que foge ao padrão habitual, febre, uma temperatura igual ou superior a 38 graus sem outra causa atribuída, falta de ar ou dificuldade respiratória, e alterações do olfato e do paladar”, precisou.

A diretora-geral da Saúde referiu também que estas pessoas reforçam a sua suspeição clínica caso tenham estado em contacto direto e próximo, nos últimos 14 dias, com alguém doente ou inseridas num surto, nomeadamente num lar, escola ou em contexto familiar.

Portugal entrou hoje em estado de emergência, que se prolonga até 23 de novembro por causa da pandemia de covid-19 e impõe entre outras medidas o recolher obrigatório noturno em 121 concelhos com mais casos de infeção.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.255.803 mortos em mais de 50,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.959 pessoas dos 183.420 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Bárbara Cruz