O coordenador da Task-Force para a vacinação contra o novo coronavírus afirmou esta quinta-feira que a quebra na cadeia de frio no Queimódromo do Porto que pode ter anulado o efeito das vacinas afetou 980 pessoas inoculadas com o fármaco da Janssen e da Pfizer.

Todas as pessoas que foram vacinadas num período específico - tem a ver com uma quebra no protocolo de segurança - estão a ser contactadas. Não há nenhum risco para essas pessoas, o único risco que pode haver é a vacinação ser considerada como um ato nulo", afirmou o vice-almirante Gouveia e Melo que falou no final de uma visita ao Centro de Vacinação do ACES Porto Ocidental, no Regimento de Transmissões.

A Task-Force, através do Infarmed, está a aplicar um protocolo para analisar a eventual evolução de anticorpos das pessoas afetadas, no sentido de saber se a vacina aplicada pode "contar como um ato vacinal". Se a inoculação não for considerada, os utentes vão ser chamados a tomar a vacina novamente.

Gouveia e Melo sublinhou aos jornalistas que a quebra no protocolo "preocupa" a equipa e destaca que todas as pessoas que tinham a sua inoculação agendada para o Queimódromo estão a ser redirecionadas para outros centros de vacinação.

Perdemos uma capacidade num espaço específico, mas temos outras capacidades que podem responder rapidamente. Conseguimos configurar a operação para superar o problema", afirma o responsável, reafirmando que os protocolos são "muito rigorosos", mas que "é preferível perder vacinas do que arriscar a administração nula de vacinas".

Para além dos 980 utentes que entraram em contacto com as vacinas em questão, mais mil outras estão em vigilância.

Os utentes vacinados nos dias 09 e 10 de agosto no Queimódromo serão contactados pelas entidades de saúde, até a próxima semana, no sentido de monitorizar a eficácia das vacinas inoculadas. Poderão ainda esclarecer as suas dúvidas sobre a vacinação: vacina.covid@arsnorte.min-saude.pt.

Será solicitada uma investigação dos factos à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

Em relação às dúvidas que têm surgido sobre a vacinação de adolescentes, entre os 12 e os 15 anos, Gouveia e Melo voltou a repetir: “a vacina é segura, é estável, está comprovada e protege contra o vírus”.

Eu tenho a convicção que em pandemia é quase impossível no tempo escapar ao vírus e, portanto, entre ter o contacto com o vírus e ser contaminado de forma descontrolada, com as consequências descontroladas que podem acontecer, o que eu diria é que a coisa racional é ir por outro caminho, que é vacinar as crianças”, disse.

E acrescentou: “Estamos no fim de processo, temos um tempo limitado para o concluir, porque prolongar o processo é prolongar a oportunidade do vírus atuar. Peço a colaboração de toda a gente”.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram devido à Covid-19 17.514 pessoas e foram registados 993.241 casos de infeção, segundo a Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil ou Peru.