O militar português que ficou gravemente ferido, na quinta-feira, num acidente de viação na República Centro-Africana, teve de ser amputado às pernas. Ao que a TVI conseguiu apurar, uma das pernas foi amputada pelo joelho e a outra pelo tornozelo. 

Em comunicado, o gabinete do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) esclarece que o comando, integrado na Força de Reação Rápida Portuguesa, foi operado ainda na República Centro-Africana, "tendo sido verificada a necessidade e efetuada uma amputação bilateral dos membros inferiores", que não resultou em "intercorrências no intra ou pós-operatório imediato"

O documento esclarece ainda que o militar, que sofreu um “traumatismo craniano sem perda de conhecimento” e um “traumatismo grave dos membros inferiores”, foi estabilizado no local do acidente e "transferido por helicóptero para o hospital militar da missão das Nações Unidas na capital do país, em Bangui, onde foi submetido a cirurgia emergente".

Depois da cirurgia, o militar fez uma viagem de cerca de 6 horas num "Falcon da Força Aérea" para Portugal, tendo dado entrada no serviço de urgência do Hospital das Forças Armadas (HFAR), em Lisboa, pelas 14:45 horas desta sexta-feira.

À entrada, encontrava-se consciente, colaborante, orientado e hemodinâmicamente estável. Está agora em fase de avaliação multidisciplinar laboratorial, imagiológica e clínica diferenciada, envolvendo diferentes especialidades médico/cirúrgicas. Irá ficar internado na Unidade de Cuidados Intensivos do HFAR para monitorização e vigilância da evolução clínica", lê-se no comunicado. 

O CEMGFA diz ainda que prevê uma "evolução" e um "prognóstico favoráveis"

Os psicólogos militares do HFAR e do Exército encontram-se a prestar apoio ao militar e à família. Está a decorrer um processo de averiguações deste acidente, para apuramento das causas que levaram ao despiste da viatura.

O acidente aconteceu durante a realização de um trajeto logístico junto à região de Bouar, situada a 350 quilómetros a noroeste da capital do país, quando ocorreu o despiste e capotamento de uma das viaturas táticas ligeiras blindadas HMMWV, vulgarmente conhecidas por “Humvee”.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), cujo 2.º comandante é o major-general do Exército Marco Serronha.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O governo controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Forças Armadas e Estado vão dar “todo o apoio possível” a militar ferido

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, lamentou hoje o acidente que envolveu um militar português na República Centro-Africana (RCA) e indicou que as Forças Armadas e o Estado vão dar-lhe “todo o apoio que for possível”.

Em declarações à agência Lusa a partir de Washington - depois de um encontro com o secretário de Estado da Defesa dos Estados Unidos da América, Patrick Shanahan, no Pentágono -, o ministro reiterou que tem acompanhado a situação, “de forma permanente”, desde que chegou àquele país.

Quando cheguei a Washington, ainda no aeroporto, foi quando recebi a notícia, telefonei ao general Serronha, que é o 2.º comandante da MINUSCA, a operação das Nações Unidas, e fui acompanhando a par e passo”, declarou, acrescentando que “sempre que havia alguma informação nova” esta lhe era transmitida.

João Gomes Cravinho adiantou também que enviou ao militar, “através do general Serronha”, votos “de coragem, de apoio, numa situação que, obviamente, é extremamente difícil do ponto de vista pessoal”.

Lamentamos profundamente que tenha ocorrido este acidente e, obviamente que daremos todo o apoio que for possível, seja do lado das Forças Armadas, do lado do Ministério da Defesa, do lado do Estado português, a este militar que sofreu o acidente em serviço”, salientou.

À Lusa, o ministro da Defesa apontou que se trata de “um contexto algo trágico para o militar” e realçou “a forma como ele foi atendido” e a rapidez com que “teve atendimento médico”.

Gomes Cravinho recordou que o militar do Exército foi “transportado de imediato e teve atendimento rápido no hospital das Nações Unidas, hospital Sérvio, em Bangui”, capital da RCA.

O governante elogiou também com a “Força Aérea Portuguesa, que foi imediatamente buscá-lo”.

Foi muito rápido e eficaz o atendimento e penso que isso fica bem às nossas Forças Armadas”, rematou.

 

Marcelo Rebelo de Sousa visita militar ferido e manifesta “total solidariedade”

O Presidente da República visitou na noite de sexta-feira o militar português ferido na República Centro-Africana (RCA)e que está internado no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa, manifestando a sua “total solidariedade”.

Após o seu regresso da visita de Estado à Costa do Marfim, Marcelo Rebelo de Sousa deslocou-se ao hospital para visitar o militar, que sofreu ferimentos graves que obrigaram à amputação dos membros inferiores, depois de um acidente de viação na RCA.

Segundo uma nota divulgada pela Presidência da República, o Comandante Supremo das Forças Armadas manifestou a sua “total solidariedade para com este soldado de Portugal e os seus familiares, que estavam presentes”.

Um militar português ficou ferido na quinta-feira à tarde na RCA, na sequência do despiste e capotamento de uma viatura, quando as tropas nacionais realizavam um trajeto logístico junto à região de Bouar, situada a 350 quilómetros a noroeste da capital do país.

Este militar sofreu um “traumatismo craniano sem perda de conhecimento” e um “traumatismo grave dos membros inferiores” que obrigou a “amputação bilateral”, revelou o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) na sexta-feira.

Numa atualização da situação clínica do soldado comando, o EMFGA informou que o militar foi “estabilizado no local do acidente de viação”.