A ministra da Saúde revelou esta sexta-feira, em conferência de imprensa, o número de surtos ativos de Covid-19 em Portugal. Segundo Marta Temido, há 41 surtos ativos no Norte, 13 no centro, 134 em Lisboa e Vale do Tejo, cinco no Alentejo e 13 no Algarve. 

No total, são 206 surtos ativos da doença, mais 45 do que no ponto de situação anterior. 

O risco de transmissão da Covid-19, calculado pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge entre os dias 10 e 14 de julho, está em 0,96 a nível nacional, "o que indica que o número de novos casos se mantém constante, ainda assim baixando um bocadinho", apontou Marta Temido. 

A nível regional a distribuição do RT é a seguinte: 1,04 na região Norte, 0,94 na região Centro, 0,94 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 0,89 na região do Alentejo e 1,17 na região do Algarve.

A ministra da Saúde reiterou que Portugal mantém um esforço de testagem diário, dando como exemplo o dia 5 de julho, data em que foram realizados 15.866 testes, e desses 658 foram positivos, "uma percentagem de 4,1%".

Mantém-se a nossa tendência de um número significativo de testes realizado diariamente, com uma percentagem de positivos de alguma inconstância", frisou a governante.

Marta Temido falou ainda sobre a possibilidade de terminarem os limites à lotação dos transportes públicos, avançada pelo ministro das Infraestruturas, referindo que as recomendações de saúde pública "têm carácter evolutivo" mas que, neste momento, não há razão para alterar essa norma, apesar de vários estudos que apontam para a falta de causalidade direta entre viagens em transportes públicos e a transmissão da infeção por Covid-19.

Não vejo motivo para alterar o que está definido", esclareceu a ministra. 

Fazendo um ponto de situação sobre os ventiladores disponíveis em Portugal, Marta Temido explicou que, no início de março, o Governo procurou identificar os ventiladores em uso no SNS e apontou para um reforço estimado em 1743 equipamentos. 

Desses, 943 são ventiladores "já em aquisição" e 470 dos 943 estão em testes; 205 estão em apreciação e 140 tiveram "desconformidades", pelo que serão devolvidos ou substituídos, explicou a ministra da Saúde. 

Objetivo é "isolar" contactos

 A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse também na conferência de imprensa que o objetivo das autoridades é “identificar e isolar” rapidamente os contactos de uma pessoa com Covid-19, mesmo que não lhe seja feito um teste.

O nosso objetivo é esse: rapidamente isolar os contactos, independentemente de se fazer logo um teste. É de imediato proceder ao isolamento, com ou sem teste”, observou Graça Freitas, na conferência de imprensa regular sobre a pandemia em Portugal, respondendo a uma questão sobre um estudo da Lancet, divulgado na quinta-feira, que alerta para a necessidade se efetuarem testes nas primeiras 24 horas para prevenir a propagação de vírus.

A diretora-geral alertou que as pessoas colocadas em isolamento profilático devido ao contacto com infetados, se testarem negativo, “não podem interpretar livremente o teste e sair de casa sem autorização” das autoridades de saúde.

Se testam negativo, não podem vir para a rua. Têm de se manter em isolamento durante 14 dias”, avisou.

Um estudo científico publicado na revista Lancet indica que, por mais eficaz que seja o rastreio de contactos de pessoas doentes com Covid-19, de pouco servirá para travar a disseminação da doença se os testes de diagnóstico não forem rápidos.

Se o teste de diagnóstico à covid-19 demorar três ou mais dias depois de uma pessoa desenvolver sintomas, mesmo a estratégia mais eficaz de rastreio de contactos não conseguirá reduzir a transmissão do vírus”, afirmam os investigadores responsáveis pela investigação divulgada na quinta-feira.

Se se conseguir testagem com resultados no prazo de 24 horas com rastreio de pelo menos 80% dos contactos, o número médio de contactos infetados por uma pessoa (conhecido como RT) pode ser reduzido de 1,2 para 0,8, evitando 80% das transmissões do novo coronavírus, acrescenta.

“Este estudo reforça as conclusões de outros, mostrando que o rastreio de contactos pode ser uma intervenção eficaz para evitar o contágio do vírus SARS-CoV-2, mas só com uma proporção alta de contactos e um processo rápido de testagem”, afirmou uma das principais autoras do estudo, Miriam Kretzschmar, da universidade holandesa de Utrecht.

Uma das principais conclusões é a de que “as aplicações para telemóvel podem permitir encontrar mais depressa pessoas que estejam potencialmente infetadas, mas se os testes demorarem três dias ou mais, mesmo esta tecnologia não conseguirá travar a transmissão do vírus”, referiu.

No rastreio de contactos, é preciso encontrar todas as pessoas que estiveram em contacto com uma pessoa infetada para poderem ser isoladas e assim impedir mais contágio.

Para o rastreio ser eficaz, é preciso que a taxa de transmissão do vírus traduzida no R0 seja inferior a 01, ou seja, que o número de novas infeções provocadas por cada pessoa seja inferior a uma.

No estudo, o modelo matemático utilizado presume que cerca de 40 por cento da transmissão de vírus acontece antes de uma pessoa infetada mostrar sintomas de covid-19.

Portanto, o rastreio de contactos só funciona e só consegue manter o R abaixo de 01 se as pessoas com covid-19 receberem o diagnóstico positivo no dia em que são testados, logo que desenvolvem sintomas.

Sem nenhuma medida de mitigação de contágio, cada pessoa infetará uma média de 2,5 pessoas. No entanto, só com o distanciamento físico, que reduz em 40% contactos próximos e 70% os contactos casuais, o número de pessoas infetadas por cada doente passa a 1,2.

Portugal regista hoje mais três mortes e 312 novos casos de infeção por covid-19, em relação a quinta-feira, 236 dos quais na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o boletim, desde o início da pandemia até hoje registam-se 48.077 casos de infeção confirmados e 1.682 mortes.

Portugal contabiliza esta sexta-feira pelo menos 1.682 mortos associados à covid-19 em 48.077 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Bárbara Cruz / Com Lusa