A Marinha vai usar, esta quinta-feira, um veículo submarino com controlo remoto para ajudar nas buscas nas pedreiras atingidas pelo deslizamento de terras e colapso de uma estrada em Borba, equipamento que atua pela primeira vez num espaço tão confinado.

“A Marinha vai enviar uma equipa com seis elementos - dois oficiais, um sargento e três praças mergulhadores - e equipamento. O equipamento será um veículo submarino com controlo remoto e algum equipamento de mergulho”, disse à agência Lusa o comandante Fernando Fonseca, porta-voz da Marinha.

Os repórteres da TVI24 no local constataram antes das 11:00 da manhã o reforço de meios nas operações e viram os elementos da Marinha a preparar o sonar para entrar no terreno (veja os vídeos associados a este artigo).  A TVI24 sabe que outros instrumentos importantes para a deteção de metais, estes da GNR, também vão ser utilizados.

Para além disso, vai ser inserida nova bomba de alto débito de água, que vai ajudar que haja mais efeitos da drenagem que ocorreu na última noite.

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A drenagem tem vindo a reduzir o volume de água do poço menor (com cinco a seis metros de profundidade, num espaço de 1.200 metros quadrados), onde está o corpo de um outro trabalhador da pedreira. Só depois a operação se deverá focar no poço maior (com cerca de 50 metros de profundidade e 5.000 metros quadrados de área) para encontrar as viaturas.

É neste poço onde está acumulada mais água. Para além de todo o entulho e todos os escombros, há também uma grua metálica gigante, um elevador metálico e um depósito de água. Há grandes dificuldades em perceber onde estão as viaturas, precisamente por hver muito metal no fundo da pedreira.

Ontem, estiveram no poço grande mergulhadores da Força Especial de Bombeiros e alguns mergulhadores dos bombeiros voluntários de Ponte de Sôr, mas com o trabalho muito dificultado pelas condições do terreno.

Dúvidas no sucesso da operação

Segundo o comandante Fernando Fonseca, este submarino com controlo remoto é, normalmente, utilizado no mar, rios e algumas albufeiras e tem como principal função descobrir minas que estejam fundeadas.

O porta-voz da Marinha referiu que a utilização do equipamento numa zona tão confinada como é a pedreira levanta algumas dúvidas quanto ao sucesso da operação, uma vez que este necessita de “algum espaço para poder ganhar as referências no seu sistema de navegação”.

“O facto de ser uma zona tão confinada poderá não ser possível o equipamento estabilizar. Se tiverem sucesso em fazer o alinhamento do sistema de navegação, vão tentar que o sonar, que faz a busca pela projeção do som dentro de água, possa detetar as viaturas e passar a informação”, frisou.

O comandante Fernando Fonseca afirmou que é a primeira vez que vai ser efetuada uma operação com este equipamento numa zona tão confinada e que existe “alguma apreensão na forma como poderá funcionar”.

O deslizamento de um grande volume de terra na estrada 255, que provocou "a deslocação de uma quantidade muito significativa de rochas, de blocos de mármore e de terra” para o interior de pedreiras contíguas, ocorreu às 15:45 de segunda-feira.

O acidente, de acordo com a Proteção Civil, provocou, pelo menos, dois mortos, além de haver três pessoas desaparecidas.