A ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável criticou hoje a proposta do Governo de redução dos plásticos descartáveis, alertando não ser alternativa sustentável a substituição de plástico de origem fóssil descartável por plástico biodegradável ou bioplásticos descartáveis.

“Esta substituição é um erro”, afirma a associação, em comunicado hoje divulgado, alertando para o risco de, perante a necessidade de reduzir o consumo de plástico de origem fóssil, se cair “no erro” de achar que a substituição de materiais é uma alternativa sustentável.

Na sexta-feira, o Governo anunciou a intenção de antecipar os prazos da União Europeia sobre plásticos descartáveis, eliminando já no segundo semestre de 2020 a colocação no mercado de produtos como palhinhas, talheres e pratos ou produtos oxodegradáveis como alguns sacos.

Plásticos biodegradáveis não alteram o modelo de produção e consumo, são um entrave à reciclagem, induzem confusão nos consumidores e são contrários à Diretiva sobre plásticos de uso único”, afirma a associação, que considera que reduzir e reciclar são as “verdadeiras alternativas” ao descartável.

Esta substituição pode até ser um “entrave à reciclagem”, acrescenta, explicando que pode ser causa de contaminação dos materiais uma vez que plástico fóssil e plástico biodegradável não podem ser reciclados conjuntamente.

Do ponto de vista da ZERO, a mudança deve passar pela redução da utilização de plástico e a promoção da sua reutilização, garantindo a reciclabilidade do produto no final da sua vida útil.

Na sexta-feira, depois de anunciadas as propostas do Governo para reduzir o uso de plásticos descartáveis, a associação ambientalista Quercus saudou esse anúncio, mas ressalvando que “Portugal podia ter sido mais ambicioso e até uma referência a nível europeu”.

A Quercus, em comunicado, defendeu a necessidade de antecipar outras medidas, nomeadamente quanto ao uso de microplásticos que existem em produtos de cosmética e higiene e são nocivos para a vida marinha.

“Estas partículas que invadem os oceanos, são ingeridas pelos peixes e nada nos garante que não terminam no nosso prato”, salientou.