O próximo ano letivo deve ter turmas mais pequenas e mais profissionais, nomeadamente não docentes, defende o Sindicato de Todos os Professores (STOP), que vai iniciar uma campanha de sensibilização nesse sentido.

Depois de um plenário online de profissionais de educação realizado esta tarde, o dirigente do STOP, André Pestana, disse que foi decidido começar em breve uma campanha “para deixar claro que os professores querem ensinar presencialmente, mas em segurança e com qualidade”, tendo em conta a situação provocada pela Covid-19.

Os professores querem voltar às escolas mas com turmas como até agora é impensável”, salientou o responsável, explicando que os estudos indicam que o novo coronavírus, que provoca a doença Covid-19, se propaga com muita facilidade e que também é consensual que em outubro poderá haver uma segunda vaga, aliada ao previsível aumento de casos de gripe.

Estas situações, conjugadas, não são compatíveis com turmas de mais de 20 alunos ou quase 30 alunos, que ficam pelo menos 50 minutos fechados numa sala.

Tal situação “será totalmente irresponsável” por parte do Ministério da Educação, disse, acrescentando que o Governo deve “inverter prioridades” e em vez de apoiar bancos deve investir na redução de alunos por turma, uma forma mais eficaz para evitar contágios mas também para recuperar a aprendizagem, que ficou comprometida no final do ano letivo que agora acabou.

A campanha, pela saúde pública e pela qualidade de ensino, acrescentou André Pestana, é coerente com uma petição que o STOP apresentou na Assembleia da República na semana passada, que pede nomeadamente a redução de alunos por turma.

As escolas precisam também, disse, de muitos mais trabalhadores não docentes, devido ao aumento do grau de exigência em termos de limpeza das instituições.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 627 mil mortos e infetou mais de 15,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.712 pessoas das 49.692 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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