Bruno de Carvalho reagiu, numa publicação no Facebook, à decisão instrutória do Tribunal de Instrução Criminal do Barreiro de o levar a julgamento, bem como os restantes arguidos, no âmbito do processo relacionado com o ataque à Academia de Alcochete.

O antigo presidente do Sporting insinuou por diversas vezes que existe uma conspiração e uma cedência à opinião pública, tudo com o intuito de o prender.

A partir do momento em que irresponsavelmente se leva alguém a tribunal sem provas cria-se, e com o propósito claro de a criar, a convicção na sociedade que aquela pessoa é culpada, faltando apenas a 'última etapa', o julgamento, para que lhe seja aplicada a pena correspondente", lê-se na publicação.

Bruno de Carvalho foi mais longe, e afirmou que lhe foram "negados princípios constitucionais fundamentais como o direito ao seu bom nome, o direito a trabalho, o direito a uma casa, o direito a viver livre e com dignidade".

Referindo-se à tipificação do crime que está a ser tratado como terrorismo, num tom claramente irónico, afirmou que “a opção de ser um terrorista é, a par da pedofilia, violação e homicídio, um dos actos que toda a sociedade deve condenar de forma veemente e sem qualquer contemplação”.

Se sou terrorista, pior ainda, se sou o mandante de um acto de terrorismo, sendo assim o 'terrorista chefe', não posso estar em liberdade!", escreveu.

O ex-líder leonino alegou que há uma conspiração contra si: "vocês não querem ver a lei ser cumprida ou fazer justiça! Vocês quiseram subverter todos os direitos conferidos pela Lei e pela Constituição e arruinar a vida de quem nunca teve medo de dizer a verdade ou combater os lobbies".

Falou também dos fatores que levaram à situação pessoal que atravessa como: a detenção na presença da família; a visita da família na prisão; e a manipulação da opinião pública.

Que protejam agora pelo menos as minhas filhas e a minha restante família. Elas não aguentam mais este exercício vil de vexame, calúnia e difamação", escreveu.

Ao todo, Bruno de Carvalho está acusado de 98 crimes no processo de Alcochete: 40 de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um crime de detenção de arma proibida e de crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados. 

Bruno de Carvalho está ainda implicado no processo Cashball, onde foi apontado como o chefe do esquema de corrupção desportiva.