O fenómeno da especulação imobiliária começou no centro de Lisboa, mas também já se vive, e de que maneira, no Porto. Há quem compre edifícios inteiros e queira despejar os inquilinos à força. 

Esta terça-feira, o Jornal de Notícias avança que há senhorios que contratam "capangas" com o objetivo de intimidar os inquilinos, no limite com ameaças de morte. Os principais alvos serão idosos. As associações de inquilinos queixam-se de "bullying imobiliário" e vão ainda mais longe nas palavras para classificar o que se passa: "ações de guerrilha" e "terror".

“As pessoas vivem aterrorizadas”, advertiu ao JN José Fernandes, advogado da Associação de Inquilinos do Norte. As técnicas intimidação, segundo este responsável, vão desde “inundar zonas comuns do prédio”, a “cortar luz ou água sem razão”, “aparecer sem avisar para mostrar a casa a um investidor” e até a “levar gorilas que intimidem as pessoas”.

Também o movimento Temos Direito à Cidade partilha a mesma preocupação e tem relatos semelhantes. Pede, por isso, à câmara do Porto que aja em conformidade, limitando, por exemplo, as licenças de alojamento local.  

Face às ameaças, há arrendatários que não veem outra solução que não a de contratar seguranças, para se defenderem das alegadas investidas de agressão por parte dos senhorios. Inquilinos que falaram sob a condição de anonimato àquele jornal disseram que pagaram cerca de 50 euros por esse serviço.

Estas revelações surgem, depois de um homem ter morrido num incêndio, no sábado, que terá sido alegadamente fogo posto, num prédio na rua Alexandre Braga, perto do mercado do Bolhão. A família da vítima denunciou “visitas” de indivíduos “corpulentos” que terão feito ameaças de morte aos inquilinos para os forçar a sair rapidamente de casa.