José Soares Campos, pai de Tiago, foi quem interpôs a ação no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. O pai da vítima mortal explicou que existiram falhas graves na inspeção feita pelas autoridades em Portugal. José Campos espera que nos processos cíveis o caso corra melhor.

Há falhas graves e já foram apontadas pelo Tribunal Europeu”, reiterou José Soares Campos.

 

Fernanda Cristóvão, mãe de Catarina, disse que a decisão do Tribunal Europeu demonstrou que as famílias das vítimas tinham razão, quando disseram que a investigação do caso não tinha sido feita corretamente.

Não há dúvida que todos nós merecíamos, são seis anos de luta, de tristeza pela morte dos nossos filhos, em paralelo com uma luta”, explicou Fernanda Cristóvão.

Vítor Parente Ribeiro, advogado das famílias das vítimas, explicou o que pode alterar-se no processo depois da decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. O especialista garantiu que esta decisão é a “reposta que o Ministério Público precisava de ouvir”. Ainda assim, em termos processuais, nada se vai alterar com esta nova decisão.

Esta decisão do Tribunal Europeu vem culminar aquilo que era o processo-crime”, disse o advogado das famílias das vítimas.

 

Ana Leal relembrou que ao longo destes seis anos as investigações da TVI foram denunciando as falhas na investigação da Polícia Judiciária. A jornalista explica que a investigação do procurador Moreira da Silva foi negligente em alguns aspetos.

Ao longo dos anos, a nossa investigação jornalística foi apontando estas falhas”, esclareceu Ana Leal.

 

Vítor Parente Ribeiro teorizou que o Ministério Público partiu do principio que o que aconteceu naquela noite na praia do Meco se tratou de um acidente. Tentando sempre comprovar essa teoria sem ter em conta outras possibilidades.

O Ministério Público olhou para este processo como um acidente e a partir daí não quis alterar essa versão”, constatou Parente Ribeiro.

Ana Leal revelou que o médico, especialista em afogamentos, que diagnosticou João Gouveia nas urgências apenas lhe receitou paracetamol, já que o paciente não demonstrava qualquer sinal de hipotermia ou de ter estado numa situação de pré-afogamento.

A jornalista referiu ainda que o procurador do Ministério Público pediu que o médico testemunhasse uma segunda vez, em que manteve a mesma postura. No entanto, no relatório do Ministério Público há um “mea culpa” deste mesmo profissional de saúde, apesar dos dois testemunhos em que diz o oposto. Ana Leal acusa o procurador Moreira da Silva de ter mentido no documento.

O senhor procurador mentiu”, concluiu a jornalista da TVI.

 

António Soares, pai da Catarina, reiterou que ficou perplexo com as declarações de Francisca Van Dunen, após a decisão do Tribunal Europeu. O pai da vítima explicou que esta decisão dá algum alento às famílias das vítimas.

Espanta-me as declarações da Ministra da Justiça”, confidenciou António Soares.

 

Ana Leal relembrou algumas das praticas anómalas que aconteceram durante a investigação coordenada pelo procurador Moreira da Silva. A jornalista explicou que a roupa de João Gouveia foi apreendida três meses após a noite da tragédia, já com pouco valor de prova. Parente Ribeiro falou ainda do momento em que foi dada a autorização a uma jornalista para manusear essas mesmas roupas, enquanto a investigação estava a decorrer.

A apreensão da roupa do único suspeito [João Gouveia] foi feita três meses depois”, relembrou Ana Leal.

 

Fernanda Cristóvão explicou que na primeira semana não pensou nos trâmites da investigação, porque a filha Catarina ainda não tinha sido encontrada. A mãe da vítima revelou que entregou o telemóvel de Catarina ao namorado da filha no dia da tragédia e ainda hoje se questiona.

A minha filha só apareceu ao fim de uma semana, foi sepultada no dia de Natal”, disse Fernanda Cristóvão.

 

Parente Ribeiro, advogado das famílias, reiterou que a atual Ministra da Justiça era procuradora distrital de Lisboa, aquando da investigação. Como tal, Francisca Van Dunen era informada regularmente sobre as etapas da investigação.

[Francisca Van Dunen] tinha total conhecimento do que se passava neste processo”, esclareceu o advogado das famílias das vítimas.

 

Fernanda Cristóvão relembrou que todos os estudantes que estavam na praia do Meco, estavam perto de terminar o curso. A mãe de Catarina explicou assim que estas praxes foram atípicas e que seriam mais semelhantes a rituais de uma seita.

Isto não foram praxes normais, isto foram rituais”, garantiu a mãe de Catarina.

 

António Soares, pai de Catarina, revelou que quando foi inquirido foi tratado como um suspeito, quando deveria ser uma vítima. Ana Leal confidenciou também que foi inquirida durante dois dias e foi a inquirição mais agressiva que teve ao longo da vida profissional.

Fui inquirida durante dois dias e foi a inquirição mais agressiva que tive”, revelou Ana Leal.