No centro da vila de Cascais, a chuva forte trazida pela Depressão Karim também se fez sentir. Esse foi o cenário testemunhado pelo repórter da TVI, Henrique Mateus, que chegou a locais onde a água subiu cerca de 30 centímetros. Para prevenir mais estragos durante a noite, muitos comerciantes do centro da vila colocaram sacos de areia e removeram a água existente.

O vereador da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, explicou que a baixa do município é um dos sítios com maior propensão a cheias.

Ainda assim, o responsável afirma que foi possível retirar a água, mas as autoridades vão ficar nos locais mais afetados durante a noite, para evitar novas cheias, sobretudo durante a subida da maré.

Uma das habitantes, Marina Jorge, partilhou no Facebook o estado em que ficou o Largo Camões, um dos pontos centrais.

O concelho de Cascais registou maior pluviosidade do que nas grandes cheias de 1983, avançou o presidente da Câmara Municipal, Carlos Carreiras, alertando para a situação de maior risco durante esta noite.

Temos estado acompanhar e, agora, a grande preocupação é no período que vai das 20:00/21:00 até às 23:00, porque há um conjunto de coincidências que podem levar a situações de maior risco”, declarou o autarca de Cascais, referindo que está previsto que chova mais e que coincida com a preia-mar.

Ao todo, cerca de 20 lojas foram afetadas pelo mau tempo.

Além disso, a Ribeira das Vinhas continua com bastante carga e a Barragem do Rio da Mula está a encher e vai ter de fazer descargas que são automáticas, referiu Carlos Carreiras, explicando que “é todo um acumular de água que vai chegar à baixa de Cascais que, por sua vez, é das zonas do país que está considerada de maior risco de cheia”.

Tivemos um período mais intenso entre as 11:30 e as 13:00 de muita chuva, para se ter uma ideia choveu bastante mais do que tinha chovido nas grandes cheias de Cascais em 1983 e isso provou algumas situações, não da gravidade de 1983, mas ainda assim algumas situações pontuais”, disse o presidente da Câmara, sem dispor do número total de ocorrências registadas devido ao mau tempo.

A circulação de comboios na Linha de Cascais foi interrompida entre São Pedro do Estoril e Cascais, desde as 12:45 deste sábado, devido à "queda de uma árvore de grandes dimensões”, avançou fonte da Infraestruturas de Portugal (IP).

Pelas 23:00, e ao que a TVI apurou, a árvore ainda não tinha sido totalmente removida. A circulação faz-se na totalidade apenas no sentido Cascais-Lisboa.

Face à dimensão da árvore e também dos danos que causou na catenária, ainda vai demorar um pouco”, apontou a IP durante a tarde.

Apesar desta interrupção, a circulação de comboios mantém-se entre o Cais do Sodré (Lisboa) e São Pedro do Estoril (Cascais), nos dois sentidos, sem perturbações.

Entre as principais ocorrências, a inundação de uma casa na freguesia de Carcavelos levou à retirada de cinco pessoas, que precisaram de ser realojadas, tendo o município disponibilizado alojamento, mas não foi necessário porque optaram por ficar em casa de familiares.

Houve também situações na serra, houve uma árvore que caiu na linha férrea Cascais – Lisboa e depois situações pontuais, mas sem uma preocupação de maior”, indicou o autarca, referindo que algumas casas também tiveram ao nível das caves alguma inundação.

Outra das ocorrências foi também uma inundação no Pavilhão de Alcabideche onde está a decorrer a vacinação contra a covid-19, “nomeadamente a zona mais sensível e mais estratégica que é onde está o frigorifico com as vacinas”, mas a situação ficou prontamente resolvida e “acabou por não criar preocupação de maior”, afirmou Carlos Carreiras.

Neste momento, a situação devido ao mau tempo está controlada, mas a Câmara de Cascais mantém-se a monitorizar o impacto do mau tempo, reforçando que o cenário pode “complicar-se um pouco mais” durante esta noite.

Mais de 600 ocorrências relacionadas com as condições meteorológicas, sobretudo quedas de árvores e estruturas de edifícios, foram registadas até às 18:00 no país, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

O Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) pôs sob aviso laranja 13 dos 18 distritos de Portugal Continental, incluindo toda a costa do país, e a amarelo cinco distritos do interior devido ao mau tempo.

De acordo com o instituto, os distritos do litoral, incluindo todo o Algarve, estão sob aviso laranja, que se deve sobretudo à precipitação, embora nos distritos mais a norte, Porto, Braga e Viana do Castelo, se devam também ao vento e à agitação marítima.

Já os distritos de Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda e Bragança estão sob aviso amarelo, assim como as ilhas dos arquipélagos da Madeira e dos Açores.

A situação de alerta amarelo em todo o país vai manter-se depois até às 13:00 de domingo.

O aviso laranja indica situação meteorológica de risco moderado a elevado e o amarelo é emitido pelo IPMA sempre que existe risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

António Guimarães / com Lusa