O presidente do Infarmed, Rui Ivo, informou, esta quarta-feira, em conferência de imprensa, que até ao momento foram tratados 133 doentes de Covid-19 com Remdesivir, um medicamento antiviral autorizado para combater a doença, no Serviço Nacional de Saúde (SNS). 

O responsável explicou que "esse medicamento tem sido distribuído com base num programa de acesso especial" e garantiu que existem "quantidades disponíveis no nosso SNS".

Temos conseguido assegurar a disponibilização do medicamento aos doentes para os quais ele tem sido prescrito. Neste momento, foram já tratados com Remdesivir 133 doentes à data de hoje no SNS.."

Rui Ivo destacou ainda o anúncio, feito esta quarta-feira pela Comissão Europeia, de que vão ser "disponibilizadas quantidades adicionais do medicamento". Bruxelas assinou um contrato de 63 milhões de euros com a farmacêutica Gilead para assegurar tratamentos com Remdesivir na UE.

Trata-se de uma quantidade para satisfazer as necessidades neste período de transição entre o problema de acesso precoce e a disponibilização normal do medicamento. Vai ser feita pela Comissão Europeia, em conjugação com o Centro Europeu para o Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa), uma alocação, tendo em conta a situação epidemiológica dos países.”

Por sua vez, a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, frisou que "a reserva estratégica de medicamentos" para tratar a Covid-19 será reforçada para os próximos meses. Uma ideia secundada pelo presidente do Infarmed.

Estamos a trabalhar nas reservas quer aquilo que tem a ver com as instituições mais locais, quer a nível nacional", vincou Rui Ivo.

Já sobre as vacinas que estão em desenvolvimento, o presidente do Infarmed informou que as autoridades portuguesas estão a trabalhar em conjunto com as dos restantes Estados-membros da UE para que "possa haver um procedimento articulado, conjunto, no sentido de disponibilizar as vacinas a todos os cidadão da UE", frisando que "há 10 empresas com as quais esta a ser feito um trabalho ativo, um trabalho articulado".

Rui Ivo notou, no entanto, que este é um "processo de grande complexidade" que vai analisar vários fatores, como as "quantidades fornecidas" e "as condições que as empresas irão disponibilizar". 

É um processo com alguma complexidade, porque temos de coordenar a fase em que estão as vacinas, as quantidades que vão ser produzidas e as condições em que as diferentes empresas vão disponibilizá-las.”

O responsável adiantou que somente algumas empresas farmacêuticas estão já a avançar para a fase três e a considerar “a apresentação de pedidos de autorização” junto da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla inglesa). 

Questionado sobre o tempo de chegada de uma vacina ao mercado, o presidente do Infarmed salientou a necessidade de prudência e reconheceu que é preciso “aguardar que o processo avance um pouco mais” ao nível da agência europeia.

Jamila Madeira revelou ainda uma subida da despesa do SNS em medicamentos em ambulatório entre janeiro e junho deste ano para os 683 milhões de euros, mais 5,4% face ao período homólogo de 2019. Já a despesa do SNS em medicamentos em meio hospitalar ascendeu a 671 milhões nos primeiros seis meses do ano, ou seja, um crescimento de 1%.

“O contexto de pandemia não reduziu o acesso dos portugueses aos medicamentos pelo SNS. De janeiro a julho de 2020 foram também já aprovados 36 novos medicamentos para utilização pelos utentes, com particular incidência nas áreas de oncologia, anti-infecciosos, cardiovasculares e neurologia, possibilitando mais opções terapêuticas”, referiu.

Portugal regista esta quarta-feira mais três mortes e 203 novos casos de infeção por Covid-19 em relação a terça-feira, segundo o boletim diário da Direção-Geral de Saúde (DGS).

De acordo com o boletim, desde o início da pandemia até hoje registaram-se 50.613 casos de infeção confirmados e 1.725 mortes.

A região de Lisboa e Vale do Tejo, onde continua a haver mais surtos ativos de Covid-19, totaliza 25.763 casos, mais 146 do que no dia anterior.

Sofia Santana