O pneumologista e coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos admitiu esta terça-feira que é de esperar um agravamento da situação de covid-19 nos próximos dias. Filipe Froes acrescenta que isso terá um efeito num aumento de doentes internados em enfermarias e cuidados intensivos.

Como explicação para este aumento de casos, o epidemiologista aponta o período festivo de Natal e de Ano Novo, que não só motivou mais ajuntamentos, como promoveu uma redução da testagem, pelo que muitas infeções poderão ser reportadas mais tarde.

Estamos a começar a sentir os efeitos que se iniciaram por volta do dia 22 de dezembro, com semanas atípicas com pontes e feriados", disse.

Falando sobre as medidas que devem ser adotadas para travar uma eventual terceira vaga, Filipe Froes admite um regresso ao confinamento, algo que já vem sendo aplicado em vários países da Europa, como são os casos de Alemanha e Reino Unido.

Caso a tendência da pandemia se mantenha ou agrave em Portugal, o epidemiologista afirma que será prudente adotar medidas mais restritivas, apontando o regresso da proibição de circulação entre concelhos e a manutenção do teletrabalho.

Em nova comparação com o que vem vindo a ser feito em outros países, Filipe Froes é taxativo: "Se nos compararmos com outros países que tiveram medidas mais restritivas, estamos muito pior do que eles".

Apesar das palavras, o pneumologista pede que as decisões sejam "muito bem fundamentadas", pelo que será necessário monitorizar a tendência, avaliando qual o impacto no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O Serviço Nacional de Saúde está a responder já com muito pouca reserva", reiterou.

Filipe Froes pede, assim, que sejam ouvidos os diversos especialistas para que sejam tomadas as melhores decisões a nível nacional, nunca esquecendo o impacto que novas restrições podem ter na economia.

Ainda que o SNS pareça estar num ponto de rutura, o epidemiologista afirma que a situação pode vir a ser ainda bem pior, até porque esta terceira vaga ainda não atingiu o pico.

Dando um exemplo concreto daquilo que representa a doença para os hospitais portugueses, o especialista lembra os cerca de 480 internamentos de doentes covid-19 em unidades de cuidados intensivos.

Sem saúde não há país. Para termos uma noção, 480 internamentos em UCI era a nossa lotação a nível nacional", referiu.

Falando sobre a campanha de vacinação, Filipe Froes lembra que este é um processo longo, que pretende, sobretudo, acautelar o segundo semestre.

Assim, todas as medidas de contenção devem ser mantidas, mesmo para quem já foi vacinado.

Em Portugal, morreram 7.286 pessoas dos 436.579 casos de infeção de covid-19 confirmados, de acordo com o boletim mais recente da DGS.

O país contabilizou esta terça-feira mais 90 mortes relacionadas com a covid-19 e 4.956 novos casos de infeção pelo novo coronavírus.

António Guimarães