A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Governo fizeram esta quinta-feira a atualização da situação da pandemia de Covid-19 em Portugal. O secretário de Estado da Saúde avançou que existem 73 mil profissionais de saúde a prestar assistência ao domicílio, através da plataforma Trace Covid.

António Lacerda Sales referiu que o universo de utentes abrangidos pela plataforma é superior a 398 mil, dos quais cerca de 16 mil estão em vigilância clínica. A Linha SNS 24 está a receber cerca de 5.500 chamadas por dia, enquanto a linha de atendimento para cidadãos surdos já atendeu 66 chamadas.

Relativamente à capacidade de testagem, o governante fala num aumento "significativo" da capacidade diária. Desde 1 de março foram realizados mais de 698 mil testes nos 80 laboratórios da rede de diagnósticos do novo coronavírus.

O secretário de Estado da Saúde aproveitou para agradecer a toda a comunidade educativa, numa semana em que os alunos dos 11.º e 12.º anos regressaram às aulas presenciais, relembrando que continua a ser necessária contenção.

A prevenção é a única vacina de que dispomos", disse.

O número de profissionais de saúde infetados com o novo coronavírus é de 3.317, dos quais 480 são médicos e 1.088 são enfermeiros. Dos casos confirmados, 1.071 são considerados recuperados.

Retoma das consultas e cirurgias

Questionado sobre a retoma dos serviços de consulta e cirurgias nos hospitais, António Lacerda Sales não adiantou o tempo que vai demorar até estabilizar as listas de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Queremos esgotar aquilo que é a nossa capacidade de SNS", acrescentou.

O governante apelou a que os doentes recorram ao SNS, pedindo-lhes que "não tenham medo".

Recomendações nas praias

Em relação às regras destinadas à reabertura das praias, nomeadamente das normas a serem cumpridas pelos nadadores-salvadores, a diretora-geral da Saúde avançou que irá ser publicado um diploma com as devidas diretivas.

Graça Freitas adiantou que vão ser seguidas as recomendações do Conselho Nacional de Reanimação do Instituto de Socorros a Náufragos.

Há normativos muito específicos relativamente a essa situação", apontou.

A diretora-geral da Saúde alertou hoje que é desconhecido o comportamento do novo coronavírus com temperaturas altas, apelando por isso a que no verão a vigilância e as medidas de proteção não sejam descuradas “nem por um momento”.

Os cidadãos não podem descurar as medidas porque nós não sabemos [se o calor tem influência no abrandamento]. Este vírus ainda não se deixou estudar completamente. Há coisas que não sabemos e temos de ter a humildade de dizer que não sabendo, temos de continuar a vigiá-lo e a tomar medidas para o pior cenário”, disse Graça Freitas.

A diretora-geral da Saúde, que falava aos jornalistas na conferência de imprensa diária de ponto de situação sobre a pandemia de covid-19 em Portugal, foi questionada sobre estudos e teorias que dão conta de que o novo coronavírus, que é já responsável pela morte de mais de 328 mil pessoas, reage bem ao calor.

A questão da temperatura é uma questão que todo o mundo acompanha com ansiedade. Os outros coronavírus, os quatro que são sazonais, são sazonais porque aparecem sobretudo no outono e no inverno e começam a ter uma atividade muito baixa na primavera e no verão. Se este vírus tiver este comportamento vamos ter um alívio de casos no verão, mas não temos a certeza”, sublinhou a diretora-geral.

Graça Freitas frisou a necessidade de “continuar a vigiar” e, como exemplo face à incerteza do comportamento do vírus, lembrou o caso de Singapura.

Não podemos nem por um momento descurar a vigilância epidemiológica, a monitorização dos casos, o isolamento dos casos. Estamos todos, à escala planetária, à espera do verão para ver o comportamento do vírus. Singapura está no Equador e teve surtos. É um país quente e teve de controlar casos. Temos de ter cuidado e estar muito atentos em relação à temperatura”, concluiu.

Questionada sobre o surto localizado na Azambuja, onde estão infetados 70 trabalhadores da Sonae, a diretora-geral da Saúde confirmou os casos, e acrescentou que todos os doentes estão bem. Foram realizados 339 testes aos trabalhadores daquele entreposto.

As autoridades de saúde têm feito inquéritos epidemiológicos às famílias da região, e mantêm-se em permanente contacto com as outras empresas da plataforma logística.

Entre as autoridades de saúde, autoridades locais e as empresas estão a ser tomadas todas as medidas para confinar este surto", explicou.

Testes serológicos parciais serão “tidos em conta” para “avaliação da imunização da população

Os testes serológicos feitos por entidades como hospitais, instituições académicas, autarquias ou clubes de futebol, serão “tidos em conta” para “uma avaliação da imunização da população” portuguesa face à Covid-19, disse o secretário de Estado da Saúde.

Temos o nosso projeto piloto que abrange cerca de 2.000 pessoas, um estudo coordenado pelo Instituto Ricardo Jorge, mas obviamente que todos os restantes estudos e testes em diferentes segmentos serão importantes para uma avaliação da imunização da população no futuro”, disse António Lacerda Sales durante a conferência de imprensa diária sobre a pandemia covid-19 em Portugal.

Lacerda Sales frisou que as iniciativas levadas a cabo por várias instituições serão “muito importantes” para “efeitos de acompanhamento epidemiológico” e, ainda que sem precisar em que moldes e como, disse que estes testes serão alvo de atenção a nível central. “Serão com certeza tidos em conta para uma avaliação da imunização da população”, referiu.

A Universidade do Porto começou hoje a fazer testes serológicos aos funcionários docentes e não docentes com o objetivo de “caracterizar” a resposta imunológica da comunidade académica à covid-19.

O Laboratório de Patologia Clínica da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda também anunciou que está a fazer testes serológicos desde 7 de maio, enquanto o Serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar e Universitário Lisboa Norte está a fazer testes serológicos desde abril.

Em 19 abril, o consórcio Serology4Covid, que agrega cinco institutos de investigação, lançou um projeto para implementar um ensaio serológico de deteção de anticorpos para a covid-19 na população portuguesa.

Somam-se iniciativas da Fundação Champalimaud que realizou testes serológicos em dois centros hospitalares e do Instituto Gulbenkian de Ciência que realizou testes serológicos também em dois hospitais.

Mais de 398 mil pessoas vigiadas a partir de casa

Mais de 73 mil profissionais de saúde têm acesso à plataforma de dados 'Trace Covid', vigiando mais de 398 mil casos confirmados ou suspeitos de Covid-19 em internamento domiciliário, divulgou Lacerda Sales.

António Lacerda Sales disse que passou a ser 73.520 o número de profissionais de saúde com acesso à plataforma e que são mais de 398 mil os casos confirmados ou suspeitos que se encontram em casa a ser vigiados pelas autoridades da saúde e, destes, 16 mil estão em “vigilância clínica”.

Todos os dias aumenta a vigilância de casos confirmados e suspeitos no domicílio”, disse o governante.

Segundo António Lacerda Sales, “a plataforma tem funcionado bem, mas há espaço para melhorias”, admitiu, adiantando que a teleconsulta poderá “reforçar a rede de cuidados domiciliários”.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, explicou que muitos dos casos que entraram na plataforma são de “pessoas que ligaram para a Linha SNS24 a reportar sintomas” e foram validados pelos médicos de família.

Equilíbrio no desconfinamento

Portugal entrou esta semana na terceira semana de desconfinamento, e o secretário de Estado da Saúde afirma que ainda é cedo para um balanço efetivo da situação.

António Lacerda Sales deixou "uma mensagem de confiança, mas também uma mensagem de responsabilidade", pedindo à população que tenha "consciência social".

Continua a haver um critério de salvaguarda e de contenção. É deste ponto de equilíbrio entre o 'fique em casa' e o 'retome a sua atividade' que vai resultar, no final, um balanço favorável", reiterou.

Em Portugal, morreram 1.277 pessoas das 29.912 confirmadas como infetadas, e há 6.452 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde. 

António Guimarães / com Lusa - Atualizada às 16:02