Mais de 56% dos profissionais da rede nacional de cuidados continuados já foram testados à pandemia de Covid-19, afirmou esta terça-feira o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales.

Até segunda-feira, já tinham feito o teste "mais de 8.600 profissionais", representando mais de metade dos trabalhadores da rede nacional de cuidados continuados integrados, avançou o secretário de Estado da Saúde, que falava na conferência de imprensa relativa ao ponto da situação de Covid-19 em Portugal.

Segundo António Lacerda Sales, dos testes realizados a estes profissionais registaram-se 62 casos positivos desde o início da pandemia no país.

Desde 9 de março, foram transferidos 3.843 doentes dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde para as unidades da rede nacional de cuidados continuados integrados e foram encontradas respostas sociais para 370 pessoas, permitindo "libertar camas nos hospitais".

De acordo com o governante, já foram realizados 670 mil testes de diagnóstico à doença Covid-19.

Entre 1 e 17 de maio, Portugal registou uma média de mais de 13 mil testes por dia, sendo o dia 15 de maio, até à data, "o dia em que foram realizados mais testes", com cerca de 19.900 amostras processadas, salientou.

Ventiladores pagos em março começam a chegar na próxima semana

O secretário de Estado da Saúde afirmou que cerca de 500 ventiladores pagos em março a fornecedores chineses deverão começar a chegar na próxima semana a Portugal.

Os cerca de 500 ventiladores, que foram pagos em março pelo Estado português, mas ainda não entregues pelos fornecedores chineses, estão na Embaixada de Portugal na China e o Governo está a contratar voos para que estes possam chegar ao país, afirmou o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, na conferência de imprensa relativa ao ponto da situação de Covid-19 em Portugal.

Segundo o governante, os ventiladores não vão chegar nesta semana, referindo que deverão estar em Portugal na próxima semana e na seguinte.

Serão contratados os voos para trazer gradualmente os ventiladores, visto que é uma carga grande e tem que ser distribuída", acrescentou.

Questionado sobre as máscaras vendidas à Direção-Geral de Saúde (DGS) com um certificado inválido ou falso, o secretário de Estado esclareceu que "não haverá nenhuma distribuição sem que seja feita uma análise prévia a toda a documentação" e "sem que estejam reunidas todas as condições de segurança".

O diário Público revelou no domingo que três milhões de máscaras do tipo FFP2 foram vendidas à DGS com um certificado inválido ou falso por uma empresa do ex-presidente da Associação Nacional de Farmácias João Cordeiro, a Quilaban. Na segunda-feira, a empresa Quilaban assegurou que “a certificação apresentada era verdadeira e válida e continuou verdadeira e válida através de um novo certificado”.

Durante a conferência de imprensa, a diretora da DGS, Graça Freitas, escusou-se a comentar as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse estar a tomar hidroxicloroquina, medicamento para combater a malária e doenças auto-imunes como a artrite reumatóide ou o lúpus.

Sobre o assunto, Graça Freitas apenas salientou que o seu uso é acompanhado por instituições internacionais e nacionais, como o Infarmed, que "acompanha muito de perto as indicações e contraindicações e a relação risco-benefício deste medicamento, quer do ponto vista profilático ou terapêutico".

“Liberdade sim, mas com responsabilidade”

O secretário de Estado da Saúde afirmou hoje que a nova fase de desconfinamento não deve justificar um “relaxamento” dos cuidados de segurança, sublinhando que a mensagem do Governo é a de “liberdade sim, mas com responsabilidade”.

A mensagem que vamos passando e que queremos continuar a passar é aquela em que as pessoas percebam que tem de haver um bom senso e tem de haver um equilíbrio”, disse António Lacerda Sales, durante a conferência de imprensa diária sobre a situação epidemiológica em Portugal.

O secretário de Estado elogiou ainda o comportamento dos portugueses durante a pandemia, sublinhando que o respeito pelas normas de segurança deve continuar a ser preponderante nesta fase.

Continuamos a ter o nosso dever de contenção”, justificou, apelando ao equilíbrio.

O Governo aprovou na sexta-feira novas medidas para a terceira semana em situação de calamidade devido à pandemia.

As novas medidas preveem, entre outras, a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios

Em Portugal, morreram 1.247 pessoas das 29.432 confirmadas como infetadas, e há 6.431 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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