O especialista em saúde pública, Gustavo Tato Borges, considerou um risco descartar um novo confinamento decorrente da pandemia de covid-19.

O vice-presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública esteve na tarde informativa da TVI24 para analisar o crescimento de casos de covid-19 no país.

Tato Borges comentou as declarações do primeiro-ministro, António Costa, que admite que Portugal poderá atingir os 1.000 casos por dia na próxima semana.

 É possível que Portugal registe um número superior a 1.000 casos nas próximas duas semanas”, admitiu Tato Borges.

O especialista apelou ainda à cooperação da população no cumprimento das medidas de distanciamento e de isolamento.

Os portugueses esqueceram-se de toda a dificuldade que passaram em março e em abril”, lamentou.

Dizer que não está em cima da mesa, neste momento, um novo confinamento, é para o especialista “um risco”, porque se se continuar a registar um aumento de casos, terá mesmo de ser ponderado um novo confinamento “com todas as consequências negativas que isso acarreta”.

Se daqui a uns tempos isto não melhorar, terá de ter discutido um novo confinamento”, destacou o especialista.

Questionado sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) estar preparado para um eventual aumento de casos, Tato Borges admitiu que “o SNS passa por várias dificuldades”.

Já sobre o uso de máscara na rua, Tato Borges defendeu que esta opção “não é fundamental se as pessoas cumprirem com o resto”, nomeadamente com uma “vida social mais recatada”.

Portugal registou, neste sábado, mais cinco mortos e 849 infetados por covid-19, de acordo com o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Quatro dos óbitos foram registados na região Norte e um em Lisboa e Vale do Tejo, que representa 52% dos novos casos diários (439). O Norte, ainda assim, regista 34% dos casos positivos do dia.

Desde o início da pandemia, Portugal totaliza 1.899 óbitos e 68.025 infetados

Rafaela Laja