A Câmara de Vila do Conde disponibilizou instalações municipais para que os pescadores do concelho que estejam a cumprir quarentena, após contactarem com outros tripulantes infetados com covid-19, possam ficar isolados das famílias e, eventualmente, continuarem a trabalhar.

A proposta da autarquia vila-condense foi partilhada quarta-feira numa reunião realizada, em Matosinhos, com elementos do Governo, representantes das Autoridades de Saúde, dirigentes de organizações de pesca e vários armadores da região.

Sugerimos que os pescadores que testaram negativo à covid-19, mas que têm de ficar em quarentena, façam um regime que, não sendo de isolamento total, os permita trabalhar nos barcos, mas ao final do dia, em vez de irem para casa, recolham a um dos nossos apoios de retaguarda, de onde saírão, no dia seguinte, exclusivamente para a sua atividade", explicou à agência Lusa Elisa Ferraz, presidente da Câmara de Vila do Conde.

A autarca revelou que o local sugerido para acolher, pontualmente, esses pescadores foi a Colónia de Férias de Árvore, localizada junto ao mar e com quartos individuais, sendo que a Câmara assumirá a manutenção e limpeza das instalações e, se necessário, as refeições.

É uma solução inovadora, mas que pode ser uma alternativa para que a atividade possa continuar e as regras das autoridades de saúde continuem a ser cumpridas. Houve uma abertura para que a proposta fosse analisada", acrescentou Elisa Ferraz.

A autarca partilhou que a reunião foi "muito participada e sensata", dizendo que todos perceberam que "não pode haver medidas excecionais para os pescadores, mas que há sempre abertura para debater soluções inovadores que protejam a saúde pública e, ao mesmo tempo, a necessidade do trabalho".

Elisa Ferraz disponibilizou, ainda, esta solução para outros setores de atividade, nomeadamente pequenas empresas que passem pela mesma situação.

Neste momento há quatro embarcações paradas devido a uma dezena de pescadores de Vila do Conde infetados com covid-19, o que forçou a que os restantes tripulantes, cerca de 30, mesmo tendo testado negativo ao novo coronavírus, tenham de cumprir quarentena e não possam trabalhar.

A Câmara Municipal de Vila do Conde, juntamente com a congénere do concelho vizinho da Póvoa de Varzim, vai ter, esta tarde, uma reunião com a Administração Regional de Saúde do Norte, para reavaliar a situação do surto que atinge os dois municípios.

Associação defende testar todos os pescadores da Póvoa de Varzim e Vila do Conde

 

 A Associação Pró Maior Segurança dos Homens do Mar defendeu que todos os pescadores da comunidade da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, distrito do Porto, deviam ser submetidos a testes de despiste à covid-19.

José Festas estima que a medida abrangeria entre 3.000 e 3.500 pescadores e que iria "dar tranquilidade na comunidade piscatória e também à população residente na região", pois nas últimas semanas os dois concelhos do litoral norte têm se debatido com um surto de novo coronavírus.

A Delegação de Saúde de Vila do Conde e Póvoa de Varzim devia realizar testes ao covid-19 a todos os pescadores desta região. Nós cedemos as instalações para isso, mas não temos dinheiro para pagar todos esses exames", afirmou o dirigente.

José Festas lembrou que, desde o início da pandemia, a Associação Pró Maior Segurança dos Homens do Mar já realizou 550 teste de despiste à covid-19, sobretudo a pescadores do cerco, mas aponta que a medida tinha de ser alargada aos profissionais da pesca do arrasto.

Devíamos fazer esses testes em setembro e outubro. Quem tivesse infetado ia para confinamento, os outros poderiam continuar a trabalhar com tranquilidade", defendeu o líder associativo, embora reconhecendo que "não pode haver obrigatoriedade nos testes

/ HCL