Marta Temido anunciou, na conferência conjunta com a Direção-Geral da Saúde, que o pico epidemiológico em Portugal foi adiado para o final de Maio e que as medidas de contenção social estão a conseguir abrandar a curva de infeções. 

Incidência máxima da infeção estará adiada para o final de maio. Isto indicia que as medidas de contenção que temos adotado, designadamente ficar em casa a não ser para ir trabalhar, estão a ser efetivas". 

 

Estimamos que venhamos a ter um número muito elevado de pessoas com infeção, e isso coloca enorme pressão sobre o sistema de saúde e todos temos de fazer o que está ao nosso alcance para enfrentar o melhor possível aquilo que nos espera", vincando que"o objetivo é reduzir a transmissão da infeção e mitigar os efeitos da Covid-19".

A ministra da Saúde referiu ainda que o mercado mundial enfrenta uma enorme escassez de material médico e de proteção para enfrentar a pandemia de Covid-19. Nesse sentido, aproveitou para agradecer a chegada, na noite de sexta-feira, de 24 toneladas de material médico, que foram transportadas por um avião da Hi Fly da China para Lisboa. 

Garantiu ainda que o Governo comprou mais de 500 ventiladores que vão ser recebidos brevemente. 

Numa nota final, apelou aos portugueses para que continuem a cumprir com as medidas de isolamento durante as férias da Páscoa, apesar do bom tempo.

Hoje é sábado, está sol, mas não é um dia comum. O número de doentes que vamos ter depende do comportamento de cada um e nós. Temos de viver esta primavera e esta Páscoa de uma forma diferente. Não vamos poder estar juntos como gostávamos, mas isso é essencial para possamos voltar a estar juntos". 

Questionada sobre se já existe em Portugal uma lista de critérios para os cuidados intensivos, ou seja critérios que levem a uma decisão clínica sobre quem se salva e quem se deixa morrer, como no caso de Espanha e Itália, Marta Temido disso que essa hipótese está a ser considerada, mas que neste momento "estão tranquilos"

Procura das urgências caiu 30% entre início e meados de março

A ministra da Saúde disse que, desde início e até meados de março, a procura nas urgências caiu 30% e mostrou-se preocupada por doentes tardarem a pedir ajuda e chegarem com situações agravadas por receio da Covid-19.

Desde inícios de março e até meados do mês a procura dos serviços de urgência [hospitalares] diminuiu 30%” e apenas na semana passada (últimos dados disponíveis, ainda não há dados desta semana) a queda atingiu os 60%.

Segundo a ministra, parte da queda da procura estará relacionada com as pessoas encontraram ajuda em vias alternativas - cuidados de saúde privados (como centros de saúde) ou consultas por telefone -, mas também disse que “o Ministério tem a perceção do risco de os doentes que chegam aos cuidados de saúde serem doentes com sintomatologia, patologia mais agravada por estarem a retardar a procura de cuidados” com receio da pandemia de Covid-19.

"Tudo indica que as medidas de contenção estão a abrandar a curva"

A diretora-geral da Saúde disse que foram realizadas projeções que apontam para um abrandamento da curva epidemiológica graças às medidas de contenção aplicadas.

Tudo indica que as medidas de contenção que foram tomadas a nível social, nomeadamente, o distanciamento e todas as medidas do encerramento de escolas, estão de facto à abrandar a curva, que era um dos nossos grandes objetivos".

No entanto, alertou que esse abrandamento não significa necessariamente que o pico seja realizado na última semana de maio, uma vez que estas projeções mudam diariamente. 

Escusou-se a revelar ao pormenor as projeções, argumentando: "São projeções para efeitos de planeamento, não nos parece que seja útil, não por uma questão de falta de transparência, mas porque causaria expectativas sobre se lá chegamos ou não, e são apenas instrumentos de trabalho".

Graça Freitas disse ainda, quando questionada sobre as últimas estimativas relativamente aos números do pico, anteriormente colocados nos 21 mil, que é provável que o número semanal de casos seja maior.

Provavelmente o número de casos em cada semana será superior ao que foi inicialmente calculado, mas superior de uma forma controlada porque temos tido medidas de contenção", disse.

 

Temos de estar preparados para ter um número superior de casos, sendo que isso vai sempre depender do que conseguirmos baixar a pressão do vírus e do que o vírus vá contrariar, tentando infetar mais pessoas”, explicou.

Marta Temido e Graça Freitas estiveram este sábado em conferência de imprensa, para fazer a atualização de informação diária relativa à infeção pelo novo coronavírus.

O número de mortes por Covid-19 em Portugal subiu para 100, segundo o boletim divulgado este sábado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

O número de casos confirmados é agora de 5.170 e há 4.938 casos a aguardar resultados laboratoriais. 

A ministra da Saúde esclareceu que já não consta do boletim epidemiológico os casos estrangeiros, uma vez que foram importados às suas regiões. 

Cláudia Évora / Atualizada às 15:00