A escola pública com melhores resultados nos exames nacionais do secundário de 2020 fica no concelho de Coimbra, aparecendo apenas em 34.º lugar do ranking nacional, que volta a ser dominado pelas escolas privadas.

De acordo com a lista elaborada pela agência Lusa, a Escola Secundária Infanta D. Maria foi a que obteve a melhor classificação entre as escolas públicas, com uma média de 15,01, depois de em 2019 ter conseguido o 2.º lugar no mesmo ranking.

Trata-se de uma descida em relação ao ano passado, quando a Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite, em São João da Madeira, tinha ficado em 32.º lugar, na altura com uma média de 13,29 valores.

Este é mais um ano com marcada tendência do ensino privado, sendo que, nos últimos dois anos, a melhor escola pública perdeu sete lugares para outras privadas.

Apesar de as escolas públicas terem descido na tabela, as notas subiram de forma considerável em relação ao ano passado, consequência da pandemia de covid-19, que acabou por resultar em exames diferentes, incluindo nos critérios de correção, o que inflacionou as médias.

Melhores escolas públicas do país

Concelho Escola Média de Exame Classificação Geral
Coimbra Escola Secundária Infanta D. Maria 15,01 34.º
Póvoa de Varzim Escola Secundária Eça de Queirós 14,76 40.º
Lisboa Escola Básica e Secundária D. Filipa de Lencastre 14,5 46.º
Santiago do Cacém Escola Secundária Manuel da Fonseca 14,48 47.º
Covilhã Escola Secundária Quinta das Palmeiras 14,47 48.º
Leiria Escola Secundária Domingos Sequeira 14,45 49.º
Vila Nova de Gaia Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves 14,44 50.º
Lisboa Escola Secundária do Restelo 14,4 51.º
Penafiel Escola Secundária de Penafiel 14,38 52.º
São João da Madeira Escola Secundária João Silva Correia 14,26 53.º

A tendência de inflação das médias provocada pela pandemia nota-se também na cauda da tabela. A escola com piores resultados nos exames de 2020 teve melhor resultado do que qualquer uma das 10 piores de 2019, ficando quase um valor acima.

Das piores públicas, muitas são repetentes. É o caso da pior classificada deste ano, a Escola Secundária José Cardoso Pires, em Lisboa, que já no ano passado figurava entre as 10 piores. No ano em análise consegue um recorde particularmente negativo, sendo a única cuja média ficou abaixo dos 9,5 valores, considerado o mínimo para alcançar positiva.

Mesmo assim, a Escola Secundária José Cardoso Pires ficou bem acima da última classificada do ano passado, a Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, na Madeira, que obteve 7,75 valores.

Na mesma lista repete também a presença a Escola Básica e Secundária Passos Manuel, que, mesmo assim, conseguiu ficar quase três valores acima do registado no ano transato, passando de uma média de 7,86 para 10,31.

Piores escolas públicas do país

Concelho Escola Média de Exame
Porto Escola Básica e Secundária do Cerco do Porto 10,75
Porto Escola Secundária do Lumiar 10,52
Lisboa Escola Secundária António Nobre 10,5
Porto Escola Básica e Secundária D. João V 10,5
Amadora Escola Secundária D. Dinis 10,43
Lisboa Escola Básica e Secundária Francisco Simões 10,36
Almada Escola Básica e Secundária Passos Manuel 10,31
Lisboa Escola Secundária Dom Manuel Martins 10,2
Setúbal Escola Secundária Matias Aires 10,18
Loures Escola Secundária José Cardoso Pires 9,22

Para o ‘ranking’ das escolas do ensino secundário com melhores médias, a agência Lusa selecionou apenas aquelas onde tinham sido realizadas pelo menos 100 provas.

Já para chegar às médias das classificações conseguidas nas diferentes disciplinas, assim como as médias por distrito, foram contabilizadas todas as provas realizadas. A análise contempla 225.307 exames realizados.

A pandemia de covid-19 levou o Governo a suspender, no ano letivo de 2019/2020, as provas nacionais do 9.º ano, razão pela qual este ano não existem peças sobre resultados nesse ciclo de ensino.

No secundário, pela primeira vez, os dados enviados pelo Ministério não fizeram qualquer distinção entre alunos internos e externos.

Também este ano, a Lusa não analisou os dados relativos às notas internas dos alunos (CIF) uma vez que os dados disponibilizados pelo Ministério eram provisórios e a sua validação estava ainda em curso pelos serviços.

António Guimarães / com Lusa