A diretora do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP), Fernanda Pêgo, reagiu ao caso dos jornalistas espiados, depois de a procurador Andrea Marques ter ordenado à PSP que vigiasse os profissionais Henrique Machado e Carlos Rodrigues Lima, editor de justiça da TVI, e subdiretor da revista Sábado.

Precisamente em declarações à Sábado, a responsável do DIAP afirmou não ver nada de errado ou ilegal no facto de ser o Ministério Público a pedir a vigilância a jornalistas.

É tudo legal, tudo legal. Vocês seguem-nos e isso é possível. Então nós não podemos seguir jornalistas na via pública? Não é nas vossas casas, pois não?", disse à Sábado.

A revista Sábado ouviu também a procuradora Auristela Pereira, coordenadora da 9.ª secção do DIAP de Lisboa à data dos factos, o que a tornava imediata superior hierárquica de Fernanda Pêgo.

A atual magistrada garante que não sabia das ordens de vigilância, refutando o mais recente comunicado do DIAP, onde é dito que as diligências foram "acompanhadas pela hierarquia".

Nem sei se isso é legal", afirmou Auristela Pereira.

O caso terá sido despachado diretamente entre Fernanda Pêgo e a procuradora Andrea Marques.

A procuradora ordenou à PSP que lançasse uma operação de vigilância a dois jornalistas durante dois meses, com registo fotográfico, com o objetivo de perceber com que fontes de informação se relacionavam.

Estas vigilâncias ocorreram na via pública às ordens da magistrada Andrea Marques, do DIAP de Lisboa, entre abril e maio de 2018, no âmbito de uma investigação por violação de segredo de justiça.

Em causa, a operação E-toupeira, a 6 de março de 2018. Foi detido nessa manhã Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, por suspeitas de corrupção, e Henrique Machado noticiou esta detenção pelas 08:51. Seguiu-se uma notícia de Carlos Rodrigues Lima. O Ministério Público abriu um processo por violação de segredo e ao fim de uns dias já estava a ordenar à polícia que passasse a vigiar os dois jornalistas.

Andrea Marques indicou no processo a morada dos órgãos de comunicação onde aqueles trabalhavam e, a partir dali, agentes da PSP à civil passaram a segui-los discretamente.

A procuradora entendeu que a fuga de informação estava na Polícia Judiciária e avançou, com Fernanda Pêgo, para buscas à sede da PJ.

Apreenderam todo o correio eletrónico da direção nacional da PJ e da unidade nacional de combate à corrupção. Assim como os registos de chamadas telefónicas de altos responsáveis da PJ.

Redação