O Ministério da Saúde garantiu que os indicadores propostos esta quarta-feira pela Ordem dos Médicos para a matriz de risco já são considerados nas decisões sobre pandemia e remeteu eventuais alterações para depois da próxima reunião do Infarmed.

O Ministério da Saúde acompanha diariamente e divulga com regularidade os vários indicadores que a Ordem dos Médicos sugere que sejam integrados na matriz de risco. Estes indicadores têm, de resto, sido tomados sempre em consideração nos processos de decisão”, adiantou o gabinete de Marta Temido à Lusa.

O Governo adotou, em março, uma matriz de risco da pandemia composta pela taxa de incidência de novos casos de infeção a 14 dias e pelo índice de transmissibilidade do vírus (Rt), que estima o número de casos secundários de infeção resultantes de uma pessoa infetada com o SARS-CoV-2.

Além desta matriz, as autoridades de saúde divulgam, semanalmente, o relatório das “linhas vermelhas” da pandemia, composto por vários indicadores como o número de casos de infeção a 14 dias, o valor do Rt, o número de internados em cuidados intensivos, a proporção de testes positivos e de casos notificados com atraso e a evolução das variantes do vírus em circulação no país.

Na resposta enviada à Lusa, o ministério recordou ainda o “consenso técnico existente sobre esta matéria e que foi reafirmado na última reunião do Infarmed”, realizada em maio, em que os especialistas “defenderam a manutenção da matriz de risco definida em março”.

O Governo convocou, entretanto, uma nova reunião com especialistas no Infarmed, em Lisboa, para o dia 27, pelo que é apenas nesse contexto, e nunca antes da referida reunião, que qualquer eventual alteração pode ser ponderada”, referiu ainda a mesma fonte.

Uma equipa de especialistas apresentou um novo indicador para determinar o estado da pandemia de covid-19 e esperando agora que este seja adotado pelas entidades competentes como futura matriz.

Na sessão de apresentação do indicador, na Ordem dos Médicos, em Lisboa, o matemático Henrique Oliveira, especialista em sistemas dinâmicos, explicou que os dois indicadores que compõem a atual matriz de risco “não chegam” e “começam a dar uma visão parcial do problema”.

A proposta apresentada, que resultou de um “trabalho de equipa” de especialistas do Instituto Superior Técnico e da Ordem dos Médicos, não deita fora os dois indicadores existentes – incidência e transmissibilidade (Rt) –, mas complementa-os com mais três: letalidade, internamentos em enfermaria e internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI).

/ AG