A ministra da Saúde disse esta quarta-feira, na habitual conferência de imprensa que detalha os números diários da pandemia em Portugal, que a orientação da Direção-Geral da Saúde (DGS), acerca do isolamento de crianças ou idosos que chegam às instituições, tem como objetivo “promover um afastamento físico”.

“Aquilo que se preconiza é, de facto, que as pessoas possam fazer um período de afastamento físico, não é que sejam postergadas para um local onde não são vistas, nem cuidadas, nem tratadas, nem acompanhadas, nem acarinhadas”, sublinhou Marta Temido.

“Bem sei que o carinho tem a ver com a expressão física dos afetos, mas é quanto a isso que se impõe um conjunto de necessidades de medidas para proteger uns e outros, numa fase particularmente vulnerável. Não quero que em momento nenhum - porque isso seria fazer mal à saúde - se confunda isolamento com abandono ou com não prestação de cuidados”, continuou.

Declarações que foram corroboradas pela diretora-geral da Saúde, que admitiu que a norma que dita que as crianças em perigo que são retiradas aos pais para ser institucionalizadas está em constante revisão, mas que o período de 14 dias que foi imposto, está definido a nível internacional.

“Obviamente que a DGS e todos nós olhamos para esta questão com muita atenção. E não são apenas as crianças e os jovens. Como vocês sabem, quando uma pessoa precisa de entrar numa comunidade terapêutica, quando um idoso precisa de entrar num lar, carece de um período de isolamento porque quem está dentro da instituição vive como se fosse numa bolha, isolada do exterior e está protegida. Portanto, a hipótese de entrar um vírus nessa instituição é de quem vem do exterior”, apontou Graça Freitas.

“Nós, seguindo a indicação da Organização Mundial de Saúde de que durante 14 dias há risco de transmissão, temos dado a indicação de que as pessoas que vão entrar numa instituição fiquem isoladas durante esses dias para evitar introduzir o vírus dentro de uma bolha que está protegida”, esclareceu.

Reconhecendo que tal situação pode suscitar algumas circunstâncias menos favoráveis à saúde mental de um indivíduo, Graça Freitas sublinhou que “abandonar não é isolar”.

“Uma pessoa isolada não é uma pessoa abandona. Seja em instituições para crianças, seja em instituições para idosos, seja em comunidades terapêuticas, este isolamento é para proteger todos os outros que estão dentro da instituição. E nós temos que balancear muito bem os riscos”, alertou.

As crianças e jovens em perigo que são retirados às famílias têm de cumprir um isolamento de 14 dias e entrar sozinhas nas casas de acolhimento, mesmo que o resultado do teste à covid-19 seja negativo.

No entanto, a orientação da DGS, que foi atualizada a 23 de julho, não está a ser bem recebida por todos. Conforme noticiou o jornal Público na terça-feira, por causa desta diretriz, a comissão instaladora da Associação AjudAjudar já enviou uma queixa à Provedoria da Justiça.

Lara Ferin