José Robalo, diretor da ARS do Alentejo reagiu esta terça-feira às acusações reveladas num relatório da Ordem dos Médicos relativo ao surto no Lar em Reguengos e garantiu que não foi feita qualquer pressão aos profissionais de saúde.

Eu não pressionei, o que eu disse foi que tinham de cumprir uma escala para prestarem vigilância e cuidados às pessoas que estavam neste lar. Se efetivamente não cumprissem, seria instaurado um processo disciplinar”, afirmou.

O responsável afirma ainda que nunca foi necessária a aplicação de um processo disciplinar, já que os médicos “apresentaram-se sempre ao serviço”.

À TVI diz, por outro lado, que os médicos apenas se recusaram a receber diariamente um papel com as ordens relativas ao trabalho do dia a dia. 

Não existiu qualquer ameaça nenhuma e não houve nenhum processo disciplinar”, disse, sublinhando que visitou as instalações do lar. 

Sobre as condições a que os utentes foram submetidos, especialmente no primeiro andar do estabelecimento - onde se verificaram vários idosos no mesmo quarto, sem assistência, medicação e com urina no chão - Robalo explica que essa é uma área que não pertence à ARS. “A ARS tem de fornecer profissionais de saúde, tem que fornecer também todos os recursos necessários”.
 

Isso cabe à gestão do lar e aos profissionais que, ao verificarem certas situações, deveriam fazer alguma transferência de doentes, se assim o considerassem”, afirma, sublinhando que tal se verificou nas transferências para o Hospital de Évora. 

No entanto, a ARS teve conhecimento de algumas situações de maus tratos, como falta de medicação e a degradação e sujidade do local.

 

"Todas as dúvidas serão esclarecidas"

O relatório da Ordem critica a falta de gestão e a ausência de uma cadeia de liderança. Acusações que o diretor diz que não se aplicam à ARS, já que “está dependente diretamente da ministra”.

Dezasseis utentes do lar morreram, assim como uma funcionária e um motorista da Câmara Municipal.

Se o surto acontecesse no tempo presente, a ARS faria o mesmo? José Robalo diz que a atitude seria muito próxima daquela que foi feita.

A nossa disponibilidade para fornecer recursos humanos necessários àquilo que foi a situação verificada foi cumprida ao máximo”, justifica.

José Robalo preferiu não comentar sobre a falsidade das acusações presentes no relatório, afirmando que a Procuradoria-Geral da República irá fazer uma análise a todo o processo e “todas as dúvidas serão esclarecidas”.

Esta terça-feira surgiram novos dados sobre o surto que atingiu um lar de Reguengos de Monsaraz, onde morreram 18 pessoas.

A TVI teve acesso ao relatório da Ordem dos Médicos, que revela que grande parte das mortes não aconteceu na sequência da covid-19, mas sim por falta de cuidados de saúde.

O documento revela também que os médicos que denunciaram falhas foram ameaçados com processos disciplinares.