O juiz Carlos Alexandre queria prisão preventiva para Luís Filipe Vieira e deixou isso vincado no despacho.

A TVI sabe que a decisão acabou por ser outra, porque o juiz preferiu preservar o segredo de justiça interno que ainda decorre e que impede que os arguidos tenham acesso ao processo.

Ou seja, os prazos processuais acabaram por salvar os ex-presidente do Benfica da prisão.

Para Carlos Alexandre, é preciso mais tempo para que o Ministério Público investigue provas como as declarações recolhidas no interrogatório.

A explicação para a decisão

Segundo apurou a TVI, o juiz Carlos Alexandre ficou impressionado com a prova recolhida pelo Ministério Público. Um esquema intrincado de negócios que considera ter relevância criminal.

Pela gravidade dos crimes e pelos perigos que acarretam, o juiz considerou a prisão preventiva para Luís Filipe Vieira. Só esta medida de coação, a mais grave, poderia prevenir uma eventual fuga, perigo que Carlos Alexandre considera ser real.

Porém, houve outros fatores a pesar na balança do juiz, nomeadamente os quatro meses que ainda restam de segredo de justiça interno. Ou seja, até 18 de novembro, os arguidos não podem consultar o processo.

Perante as declarações em interrogatório, Carlos Alexandre considerou que tanto o Ministério Público como os órgãos de polícia criminal precisam agora de mais tempo para investigar.

Há também ainda várias matérias, a envolver sobretudo José António Santos e o Novo Banco, que precisam igualmente de mais tempo.

Caso Vieira ficasse em prisão preventiva, estes quatro meses de segredo interno que ainda restam seriam encurtados. Também o prazo do inquérito pode ser reduzido se os arguidos não estiverem em liberdade. Ou seja, os prazos processuais acabaram por salvar Luís Filipe Vieira da prisão.

Contactos dos últimos tempos chamaram a atenção

Os arguidos foram confrontados com documentos e escutas telefónicas durante os vários dias de interrogatório. Ficaram muitas dúvidas por esclarecer, nomeadamente a origem de parte do dinheiro que circulou no grupo de Luís Filipe Vieira.

Três anos depois do início desta investigação, o que motivou o pedido de buscas e de detenção para interrogatório judicial foi um aumento de visitas a acionistas, almoços e outros encontros, até em prejuízo do próprio trabalho do Benfica. Uma azáfama de contactos que despertou a atenção das autoridades.

André Carvalho Ramos