Portugal registou esta quarta-feira 362 novos casos de covid-19, o que representa o número mais elevado em quase um mês e meio. Para a ministra da Saúde, os novos casos “sublinham a fragilidade” das “nossas conquistas”.

“Temos tido uma situação epidemiológica acomodável do ponto de vista da resposta do SNS. Isso decorre de um esforço tremendo não só dos profissionais de saúde, mas também de estruturas sociais, autárquicas, Protecção Civil e sociedade civil”, realçou Marta Temido, afirmando que é necessário, por isso, “manter comportamentos que respeitem este esforço”.

No entanto, referiu a ministra, o número de novos casos que foram reportados, acima dos que têm sido reportados nos últimos dias, poderá significar algum atraso nos registos anteriores, que estariam “artificialmente mais baixos do que na realidade”.

Na habitual conferência de imprensa que detalha os números da pandemia em Portugal, a ministra afirmou que os novos casos de covid-19 na região Norte têm maioritariamente a origem da transmissão identificada ou em investigação, estando associados a situações surgidas em agrupamentos de centros de saúde.

“Destaco a Cabreira - Gerês e Feira - Arouca, além de outros locais que já tínhamos anteriormente identificado, como a Póvoa de Varzim - Vila do Conde, enquanto agrupamentos de centros de saúde”, declarou a governante.

De acordo com a ministra, os novos casos na região de Lisboa e Vale do Tejo (59% do total do país), estão sobretudo associados aos contágios verificados no Hospital de Vila Franca de Xira e em duas estruturas residenciais para idosos, em Santarém e em Setúbal.

A ministra sublinhou que se verificaram mais duas mortes, na região de Lisboa e Vale do Tejo, de pessoas com mais de 80 anos: “Isto significa que a nossa taxa de letalidade é agora de 3,2% e acima dos 70 anos é de 15,4%”.

Muitos dos novos casos ativos, disse, estão associados a surtos.

Há mais de 150 surtos ativos em Portugal

A Direção Geral da Saúde (DGS) tem registo de 154 surtos ativos, dos quais 60 no Norte, seis na região centro, 66 em Lisboa e Vale do Tejo, 10 no Alentejo e 12 no Algarve.

O índice de transmissibilidade é agora de 1 (apurado para os dias de 17 a 21 de agosto), tendo registado “um ligeiro decréscimo”, frisou.

Segundo a ministra, a trajetória de crescimento foi interrompida no início de agosto e está agora “numa tendência constante”.

 
Lara Ferin .