A diretora-geral da Saúde e a ministra da Saúde fizeram este sábado o balanço da pandemia Covid-19 em Portugal. A tutelar da pasta da Saúde, Marta Temido, reafirmou que a utilização de máscara cirúrgica é recomendada a todas as pessoas que apresentem sintomas, bem como a todos os profissionais que prestam cuidados a eventuais infetados. Doentes imunossuprimidos também devem utilizar máscara.

Neste momento, Portugal tem 26 unidades certificadas para a realização de testes. A capacidade de testes diária é de 6.780 no setor público e de 4.190 no setor privado, um total de 10.970 testes diários.

Portugal, tem, segundo a informação da governante, cerca de 80 mil zaragatoas disponíveis, às quais se acrescentam 260 mil testes.

Isto é relevante porque, nos últimos dias, temos tido falta de zaragatoas em vários pontos do sistema"; acrescentou.

Relativamente à capacidade instalada em unidades de cuidados intensivos, Marta Temido referiu que chegam este domingo 144 ventiladores, de uma encomenda total de cerca de 1.500 ventiladores.

Marta Temido aproveitou também para esclarecer três situações relativas à alteração de informação dos óbitos. Segundo a ministra, foi concluído que a vítima mortal registada no Alentejo, que vinha no boletim de sexta-feira, mas não no de sábado, morreu de uma doença não relacionada com o novo coronavírus. O mesmo se aplica a dois casos retirados do boletim na zona de descrição dos sexos.

Cada português infetado contagiou "pouco menos de duas pessoas"

Cada português infetado com Covid-19 infetou em média, entre 21 de fevereiro e 16 de março, “pouco menos de duas pessoas”, revelou a ministra da Saúde.

De acordo com informação disponível com os cálculos feitos pelas nossas equipas, o número médio de casos resultantes de um caso infetado para o período de 21 de fevereiro até 16 de março foi de 1,81”, disse Marta Temida na conferência de imprensa que se realiza diariamente na Direção-Geral da Saúde.

Isto significa que cada pessoa infetada “contagiava em média um pouco menos de duas pessoas”, mostrando que “o surto estava a crescer, mas que estávamos com uma taxa do número de caso secundários resultantes de um caso infetado já inferior àquilo que já tivemos”, segundo a ministra.

Marta Temido ressalvou que “é evidente que todas estas estimativas estão sujeitas a um elevado grau de incerteza”, mas estes dados mostram que há “um resultado inequívoco” que todos os esforços precisam de continuar e ser no sentido de reduzir a transmissão.

Segundo o último boletim revelado pela Direção-Geral de Saúde, o novo coronavírus já fez 266 mortos em Portugal, e infetou 10.524 pessoas.

"Melhores esforços" para resposta a nível de saúde mental

A ministra da saúde, Marta Temido, garantiu estar a “desenvolver os melhores esforços” para que as respostas ao nível da saúde mental possam proteger os portugueses, frisando ser altura de “equilibrar o medo com a coragem”.

Todos temos medo, mas este é o momento de equilibrar o medo com a coragem: a coragem de ficar em casa, a coragem de continuar a ajudar os outros, desde que devidamente protegidos, a coragem de pedir ajuda quando precisamos dela”, disse Marta Temido.

Na conferência de imprensa diária realizada na Direção-geral de Saúde, Marta Temido lembrou que, no âmbito da saúde mental, já foram ativados gabinetes regionais de crise em saúde mental, que estão a trabalhar no quadro que corresponde a um modelo desenhado na sequência da organização nas respostas às populações afetadas pelos incêndios em 2017.

Estamos a trabalhar para que a resposta seja o mais robusta possível”, afirmou, deixando uma palavra de reconhecimento aos cinco coordenadores regionais, bem com ao diretor do Programa Nacional de Saúde Mental e ao presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental pelo seu trabalho nesta área.

Marta Temido começou por lembrar que a pandemia covid-19, “não só pelas consequências diretas da doença”, mas também pelas medidas “extraordinárias de contenção e mitigação que implica para evitar a transmissão da doença  tem alterado profundamente as nossas rotinas”.

Como profissionais, muitos estamos hoje sujeitos a enorme carga de trabalho, a riscos acrescidos, a pressão das falhas das cadeias de abastecimento ao confronto com situação limite”, sublinhou.

Marta Temido reconheceu que a saúde mental é uma “componente essencial das respostas em saúde”, frisando que o ministério está a desenvolver “os melhores esforços para os portugueses estarem mais protegidos”.

António Guimarães