O Movimento Zero, um movimento composto por elementos da PSP e da GNR, pediu, esta terça-feira, a demissão do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. 

Tenha vergonha e demita-se ou, em sua honra, os cerca de 15 mil homens e mulheres da PSP e GNR vão PARAR o País", lê-se no comunicado. 

O Movimento Zero foi criado há cerca de três semanas e conta já com o apoio de 14.250 elementos da PSP e da GNR, segundo o próprio movimento. Nasceu da condenação de oito agentes da PSP por agressões e os membros recusam-se a passar multas e intervêm em bairros problemáticos apenas em situações de extrema gravidade. 

No dia 16 de Junho de 2019, na sua entrevista à comunicação social, durante a inauguração do quartel dos Bombeiros Voluntários de Vialonga, o senhor MENTIU aos Portugueses quando negou que "haja cada vez mais elementos das forças de segurança feridos em serviço"", continua o comunicado, que acrescenta: "A infelicidade da sua intervenção foi ainda maior por nem sequer ter deixado uma palavra de solidariedade aos militares da GNR baleados em Coimbra, encontrando-se um deles ainda internado nos Hospitais da Universidade de Coimbra, com um projétil alojado no seu maxilar".

Na mesma nota, o Movimento Zero recorda ainda os números do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2017 e de 2018: "De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2017, mais concretamente na sua página 153, no quadro de resultados da intervenção das Forças e Serviços de Segurança (FSS), pode ler-se que, em resultado da atividade operacional nas mesmas, registou-se 1 óbito, 4 feridos com internamento e 265 feridos ligeiros. No RASI de 2018, na sua página 158, registou-se 6 feridos com internamento e 1159 feridos ligeiros. Recordamo-lo que estes relatórios são aprovados em Conselho Superior de Segurança Interna, e enviados por si para a Assembleia da República".

O Movimento Zero conclui a nota dizendo que vai continuar "sem cedências" até ver atendidas as reivindicações. "Para o senhor, "somos todos Jamaica", mas jamais seremos "somos todos Polícias". Tenha vergonha e demita-se ou, em sua honra, os cerca de 15 mil homens e mulheres da PSP e GNR vão PARAR o País", sublinham.

Recorde-se que Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, negou no domingo que haja mais elementos das forças de segurança feridos ,depois de dois militares da GNR terem sido baleados numa operação de fiscalização de trânsito no IC2, em Coimbra. "Portugal é cada vez mais um país seguro. Em 2014 éramos o 18.º país mais seguro do mundo. Fomos esta semana reconhecidos como o terceiro país mais seguro do mundo. Há cada vez mais proatividade e capacidade operacional das nossas forças e serviços de segurança. E os portugueses são devedores de um grande reconhecimento, de uma profunda admiração por uma atividade que, pela sua natureza, comporta riscos”, disse o ministro. 

O Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol) condenou ainda no domigno as declarações do ministro da Administração Interna sobre as agressões aos polícias em serviço, sublinhando que quadruplicaram no último ano. A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) lamentou, por sua vez, que o Governo “ainda não tenha considerado” os polícias como uma profissão de risco, sublinhando que cada vez mais os militares da GNR são agredidos em serviço.