O secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, informou que nos últimos sete dias a média diária de novos casos de covid-19 em Portugal foi de 3.546. Na conferência de imprensa realizada esta sexta-feira sobre a pandemia, o governante sublinhou que os últimos números relativos à situação em Portugal são "claramente superiores aos de março e abril" e que "colocam pressão no Serviço Nacional de Saúde".

Estes números são claramente superiores aos de março e abril e naturalmente colocam pressão no Serviço Nacional de Saúde."

Diogo Serras Lopes disse ainda que "atingimos ontem o máximo de internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) que tínhamos registado em abril" com 275 internamentos (em abril o máximo registado foi 271).

O secretário de Estado deu ainda outros dados sobre a situação epidemiológica no país: a taxa global de camas de enfermaria dedicadas à covid-19 é de 84% e a taxa de ocupação de camas em cuidados intensivos dedicadas à covid-19 é de 81%.

A região Norte é a mais afetada, com uma taxa de ocupação de camas de enfermaria dedicadas à covid-19 de 89% e uma taxa de ocupação de camas em cuidados intensivos de 88%. Em Lisboa as taxas são de 82 e 84% respetivamente.

O Governo alerta que "continuaremos a enfrentar semanas difíceis na evolução desta pandemia". A alocação de camas de enfermaria e UCI para doentes covid é elástica e há capacidade de expansão à medida que for necessário”, acrescentou o secretário de Estado, referindo-se à articulação do SNS com o setor privado e com o setor social, lembrando a convenção assinada em abril.

Continuaremos a enfrentar semanas difíceis na evolução desta pandemia. A capacidade do SNS continuará a ser expandida na medida do necessário", acrescentou.

O secretário de Estado frisou, contudo, que "tão fundamental como a capacidade de resposta" do SNS é a necessidade de controlar os contágios através dos comportamentos individuais e coletivos.

Diogo Serras Lopes foi questionado sobre a situação no Centro Hospitalar de Tâmega e Sousa, uma das unidades hospitalares que está a sofrer mais pressão.

O centro hospitalar Tâmega e Sousa, que sabemos que é o ponto mais pressionado nesta segunda vaga da covid-19 já tem instalações que permitem aumentar a sua capacidade”, afirmou.

Segundo o governante, “tem havido uma grande colaboração de todos os hospitais da região Norte, das Forças Armadas e da Cruz vermelha no sentido de poder ajudar o centro hospitalar do Tâmega e Sousa e já foram transferidos vários doentes para outros hospitais e serviços, permitindo dar uma resposta mais eficaz à procura adicional”, frisou.

Sobre a possibilidade de o Grande Prémio do Algarve de Moto GP, entre 20 e 22 de novembro, ser cancelado, depois de terem sido detetados casos de infeção em elementos das equipas de Fórmula 1 que estiveram em Portimão no último fim de semana, Diogo Serras Lopes remeteu o assunto para a Direção-Geral da Saúde, dizendo apenas que “a evolução da pandemia faz com que todas as medidas e todos os eventos sejam permanentemente avaliados e sejam tomadas as melhores decisões”.

Outro assunto abordado pelos jornalistas foram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) que indicam que as mortes por covid-19 em Portugal, entre 2 de março e 18 de outubro, representam apenas 27,5% do acréscimo da mortalidade registado relativamente à média dos últimos cinco anos,

Entendeu o secretário de Estado da Saúde que não mereciam um comentário dado que tirar conclusões sem um estudo cuidado é prematuro e não tem utilidade”.

O excesso de mortalidade é algo que tem de ser estudado de uma forma cuidada, que exige a codificação das várias patologias que estiveram inerentes aos óbitos e esse estudo demora o seu tempo e tem de ser feito de forma muito cuidadosa”, observou.

Portugal registou esta sexta-feira mais 4.656 casos e 40 óbitos por covid-19 nas últimas 24 horas, batendo os recordes diários de novos casos e de mortos desde o início da pandemia.

Sofia Santana / atualizada às 16:45