A segunda viatura que caiu para dentro de uma pedreira em Borba (Évora), no deslizamento de terra e colapso da estrada 255, já foi retirada da água, sabe a TVI. Confirma-se a presença de uma vítima mortal no seu interior. É a quinta vítima mortal da tragédia do dia 19 de novembro.

O corpo da vítima, de 85 anos, encontrava-se no interior de uma das duas viaturas que estavam submersas no plano de água mais profundo da pedreira desde o dia do acidente (19 de novembro) e que foi hoje retirada.

Fonte da Proteção Civil confirmou à Lusa que a segunda viatura localizada após o acidente foi retirada, encontrando-se no seu interior o corpo do idoso do Alandroal.

Fonte do comando territorial de Évora da GNR também confirmou à Lusa o andamento das operações de resgate da viatura.

A segunda viatura estava localizada desde sexta-feira à noite e a vítima era um dos três desaparecidos que as autoridades tinham confirmado desde o dia do acidente, quando a estrada colapsou para o interior das pedreiras.

Os corpos dos dois ocupantes da primeira viatura localizada e submersa na água, uma carrinha de caixa aberta, foram resgatados na sexta-feira com a retirada do veículo automóvel.

ANPC considera operação encerrada e "praticamente impossível" haver mais vítimas

O presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANP) considerou, entretanto, encerrada a operação na pedreira em Borba (Évora), depois de ter ter sido “feito tudo aquilo que podia e devia ser feito”, frisando ser “praticamente impossível” haver mais vítimas.

“Do ponto de vista da Proteção Civil, consideramos que a operação está encerrada”, disse o presidente da ANPC, Mourato Nunes, numa conferência de imprensa no quartel dos Bombeiros de Borba, esta tarde.

Segundo o responsável, que falava depois de ter sido recuperado o corpo da quinta vítima mortal do deslizamento de terra, concretizado esta manhã, “nunca” de pode dizer que “está bem encerrada” uma operação desta natureza, com vítimas.

“Quando há vítimas, uma operação nunca é um êxito”, mas, “face às circunstâncias, que já sabíamos que havia vítimas, e face àquilo que era possível fazer num espaço temporal o mais curto possível e sem provocar a ocorrência de mais vítimas, eu direi que foi feito tudo aquilo que podia e devia ser feito”, realçou.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de existirem mais vítimas do acidente no plano de água da pedreira mais profunda, o presidente da ANPC argumentou que “garantias absolutas não existem”, mas tal é “praticamente impossível”.

“O que há é a probabilidade elevadíssima de que recolhemos todos os corpos, todas as vítimas que estavam na pedreira, face às descrições que temos, que não são muitas, mas são as possíveis, face ao conhecimento que existe na autarquia e nas juntas de freguesia das pessoas da área desaparecidas e face aos conhecimentos que as forças de segurança têm dos desaparecidos naquela data” em que ocorreu o acidente, frisou.

O deslizamento de um grande volume de rochas, blocos de mármore e terra e o colapso de um troço de cerca de 100 metros da estrada municipal 255, entre Borba e Vila Viçosa, para o interior de duas pedreiras contíguas ocorreu no dia 19 de novembro às 15:45.

Segundo a Proteção Civil, o acidente provocou a morte de dois trabalhadores da empresa de extração de mármores da pedreira que estava ativa, um maquinista e um auxiliar de uma retroescavadora, cujos corpos já foram recuperados.

Na pedreira contígua, que estava em suspensão de lavra (sem atividade) e é a que possui o plano de água mais profundo, foi onde caíram, pelo menos, as duas viaturas, com um total de três pessoas.

O Ministério Público instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente, que é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, e duas equipas da Polícia Judiciária estão a proceder a averiguações.

O Governo pediu uma inspeção urgente ao licenciamento, exploração, fiscalização e suspensão de operação das pedreiras situadas na zona de Borba.