A Associação Quebrar o Silêncio, que ajuda homens e rapazes vítimas de violência sexual, recebeu 10 novos pedidos de apoio de vítimas por mês, no primeiro semestre de 2020. Um, aumento de 18% face ao mesmo período do ano anterior. Em três anos e meio de existência, a associação já foi procurada por 310 homens e rapazes.

Há cada vez mais homens a procurar ajuda e são cada vez mais os jovens que o fazem.

Apesar de a maioria dos nossos casos serem homens na casa dos 35 aos 40 anos, começamos a ver, cada vez mais, jovens na casa dos 20 que procuram apoio. São ainda a minoria é verdade, mas para nós este é um aumento simbólico, pois significa que estamos a chegar a mais sobreviventes”, avança o fundador da associação Ângelo Fernandes.

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O responsável pela Quebrar o Silêncio disse à TVI que é ainda difícil estabelecer uma ligação entre este aumento de pedidos de ajuda e o confinamento provocado pela pandemia de Covid-19, mas uma questão pode não ser alheia à outra:

Alguns dos novos casos prendem-se realmente com as atuais circunstâncias. Para muitos homens, o trabalho e atividades fora de casa ajudam-nos a gerir o impacto traumático do abuso. São estratégias que, segundo os próprios, os ajudam a manterem-se ocupados e a evitar que a sua mente não seja assaltada por flashbacks do abuso, memórias indesejadas, pensamentos cíclicos e sentimentos dolorosos. Estar confinado em casa impede os homens de recorrerem a estas estratégias, o que os torna mais suscetíveis e vulneráveis. Para alguns homens este é um cenário que potencia sintomatologia depressiva e o aumento significativo de ansiedade, chegando a ficar em crise”.

A associação registou também um aumento nos pedidos de apoio por parte de familiares e amigos: cerca de oito novos casos mensais, um aumento de 30% em relação ao ano de 2019. 

Mesmo com a pandemia, a associação manteve-se em funcionamento, com apoio psicológico por videochamada, por exemplo.

Manuela Micael