O Ministério Público está a investigar a alegada administração abusiva de sedativos a imigrantes, no centro de instalação temporária do aeroporto de Lisboa, por parte de inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ou elementos da segurança privada, sem autorização dos cidadãos estrangeiros em causa e sem prescrição médica para o efeito. 

As suspeitas, reportadas numa denuncia ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, foram levantadas na sequência da morte do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk, também ele sedado com Diazepam, e com base em testemunhos de outros imigrantes que passaram várias semanas nas mesmas instalações e que afirmam que depois das refeições que lhes eram dadas, à noite, todas as pessoas ficavam sonolentas e apáticas.

Foi precisamente no decorrer desta investigação, que já resultou na acusação de três inspetores, que o MP recolheu depoimentos de inspetores do SEF e de vigilantes da empresa de segurança que assumiram ter dado medicamentos a Ihor Homeniuk.

A TVI confrontou com estas suspeitas o SEF e a Cruz Vermelha, que presta serviços de saúde em permanência no aeroporto, mas até agora não obteve resposta.

O caso da morte de Ihor Homeniuk voltou a gerar polémica no final do ano de novembro, levando mesmo à demissão da diretora do SEF, Cristina Gatões.

Muitos partidos pediram mesmo a demissão do ministro da Administração Interna, mas António Costa manteve a confiança em Eduardo Cabrita.