A diretora-geral da Saúde admite que, "em última análise", Portugal pode regressar a um modelo de "confinamentos seletivos ou generalizados", apontando que o mesmo já se começa a assistir em alguns países, onde uma nova vaga de covid-19 ameaça as populações.

Em entrevista ao Diário de Notícias, Graça Freitas coloca um cenário, que considera ser "o pior", em que uma nova variante "agressiva" pode trazer uma maior resistência às vacinas, provocando um aumento das formas graves da doença.

A nossa principal preocupação para o outono-inverno é conseguirmos conter a doença grave, mais do que não ter infeção. Imagine que, de facto, aparece uma variante que escapa à imunidade que já construímos, uma variante agressiva que traz de novo a propagação e formas graves da doença, com potencial para aumentar internamentos e a taxa de letalidade, é claro que este é o pior cenário, não é o mais plausível, mas é possível e tem de ser tido em conta. E este cenário preocupa-nos, porque pode resultar num retrocesso. Em última análise pode levar-nos de novo a confinamentos seletivos ou generalizados, que é ao que estamos a assistir em alguns países", afirma.

Precisamente a pensar na quebra da imunidade, Graça Freitas aponta a possibilidade de um alargamento da dose de reforço da vacina a pessoas abaixo dos 65 anos.

Nesse sentido, a Direção-Geral da Saúde apresentou o plano Outono-Inverno, em que traça três cenários diferentes, sendo o último aquele que Graça Freitas mais teme, e que prevê o aparecimento da tal variante mais agressiva.

 O primeiro cenário é o que vivemos, perfeitamente estável, o segundo é aquele em que a efetividade da vacina começa a cair, havendo a necessidade de fazer reforços para aumentar a proteção da população, é o que estamos a fazer agora com os maiores de 65 anos, e o terceiro, o pior, é aquele em que apareceria uma nova variante, mais agressiva, com capacidade de escapar ao nosso sistema imunitário. Portanto, estas três realidades têm de estar sempre presentes até que o vírus termine o seu percurso entre nós", lembra.

A diretora-geral da Saúde diz que é necessário perceber qual a verdadeira imunidade alcançada e quanto tempo dura, dizendo que "tudo está em aberto".

Dou-lhe um exemplo, a vacina do tétano, que é a vacina mais bem conseguida até hoje, tem várias doses de reforço, porque ao longo do tempo fomos percebendo que era necessário fazê-lo para ficarmos protegidos em relação à doença. E é isto que temos de saber em relação ao SARS-CoV-2", refere.

Até ao momento foram dadas pelo menos 123 mil terceiras doses da vacina contra a covid-19, num processo de reforço que começou pelos maiores de 80 anos, mas que se vai estender a todos aqueles que tenham mais de 65 anos.

Para já isto aplica-se às vacinas da Pfizer e da Moderna, não sendo ainda claro se os produtos de AstraZeneca e Johnson & Johnson vão necessitar de uma dose de reforço.

Com o aumento de casos em vários locais do mundo, Portugal mantém-se, para já, com níveis estáveis de covid-19, mantendo aquilo que é uma quase total abertura da sociedade.

António Guimarães