Os doentes assintomáticos que cumpram os dez dias de quarentena vão poder sair de isolamento sem ser necessário um teste à Covid-19. A norma anunciada pela DGS na quarta-feira suscitou dúvidas e Roque da Cunha,  presidente do Sindicato Independente dos Médicos, diz que a mesma foi apresentada "pela calada da noite" sem ser explicada aos portugueses.

"No momento em que o país foi, através de decisão do governo, aumentado o seu nível de para o estado de emergência, em que foram dadas notas para um maior controlo das pessoas e dos ajuntamentos, pela calada da noite e sem qualquer publicidade, a DGS emite uma norma que na prática deixa de necessitar os testes de cura", começa por afirmar o clínico.

Sem querer colocar os cientistas que "elaboraram a avaliação à qualidade desta norma", Roque da Cunha diz que "essa norma tem de ser dada a conhecer aos portugueses" e "a DGS explicar o que fez para diminuir este alerta"

"Na prática custa-me perceber que, estando doente sintomáticos, e também aqui há um espectro de decisões médicas que nos não deixaremos de exercer, que estando sintomático, mesmo dez dias depois, não deixaremos de fazer o teste".

Para Roque da Cunha esta "é uma tentativa de diminuir o número de testes e de melhorar um pouco as estatísticas".

A DGS alterou a norma 004/2020, as pessoas com doença ligeira ou moderada vão ter de estar em isolamento até ao fim dos “10 dias desde o início dos sintomas”. A medida só é aplicada no caso de o doente em questão não estar a tomar medicamentos para baixar a febre, ou que tenha sentido uma melhoria dos sintomas durante três dias seguidos.

Os casos de doença grave ou crítica têm de permanecer em isolamento 20 dias desde o início de sintomas, o mesmo tempo definido para os doentes que tenham problemas de imunodepressão grave, independentemente da gravidade da doença.

A norma esclarece ainda que, nos doentes assintomáticos, os 10 dias começam a contar desde a data do diagnóstico laboratorial de covid-19 e que o período de isolamento para estes doentes termina sem ser necessário um teste à Covid-19

Redação / AM