O presidente do Tribunal Constitucional reagiu à polémica levantada por um texto escrito pelo próprio, há onze anos, agora recuperado. João Caupers diz que as declarações sobre a existência de um lóbi gay não refletem necessariamente as suas ideias.

Para a advogada Carmo Afonso, a posição do juiz em relação à comunidade LGBT fica clara no texto publicado. 

A questão é, há dez anos atrás, este juiz, que na altura era professor universitário, tinha uma opinião que fica muito clara naquele texto. Acho que não serve dizer que o sentido daquelas palavras era a provocação. Mas se era, conseguiu”, afirmou.

Para Carmo Afonso, o mais importante é saber o que é que o juiz pensa atualmente sobre aqueles temas, sublinhando que é fundamental compreender se João Caupers continua “a confundir o lóbi gay com a luta LGBT” que é “uma luta muito importante” para muito mais pessoas do que uma “minoria sem expressão”, como o juiz referiu no artigo.

A luta LGBT é uma luta fundamental para comunidade e para o coletivo”, afirmou.

Helena Matos aproveitou o debate em torno do polémico texto para lembrar que “conhecemos mal os juízes do Tribunal Constitucional” em Portugal e questionou se os portugueses sabem o que pensa João Caupers sobre as estruturas policiais como a PSP e GNR.

Nós estamos a discutir a extinção do SEF e há quem diga que está a ser esvaziada a Polícia Judiciária. Ora, tendo nós alguém que se pronunciou em termos tão claros sobre o não sentido da coexistência de duas estruturas policiais como o caso da PSP e da GNR, será importante pensar que isto pode influenciar”, explicou Helena Matos.

A colunista do Observador considera ainda que, neste momento, existe um “patrulhamento da linguagem” e que se fossemos analisar todos os discursos de todos os agentes políticos do espectro político português, ninguém sairia incólume.

Redação / JGR