Portugal vai avançar com a aplicação da vacina da Johnson & Johnson contra a covid-19, anunciou esta quarta-feira Rui Santos Ivo, presidente do Infarmed. "Existem condições para a sua utilização", disse.

"Não há nenhum constrangimento na utilização das vacinas" nas faixas etárias que estão neste momento a ser vacinadas, considerou o presidente do Infarmad.

Marta Temido, ministra da Saúde, confirmou que Portugal vai seguir as recomendações da Agência Europeia do Medicamento (EMA). "A decisão do regulador europeu foi clara", afirmou. "A Comissão Técnica Contra a Covid-19 vai agora rever as recomendações do regulador e verificar se há algum ajuste a fazer na sua aplicação no nosso país."

Neste momento está ainda em avaliação se a vacina será usada em todas as faixas etárias. 

Na semana passada, Portugal recebeu as primeiras 31.200 doses da vacina da Janssen contra a covid-19, que estão armazenadas e a aguardar por esta decisão.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) considerou na terça-feira que os efeitos secundários registados após a toma da vacina da Johnson & Johnson "são muito raros" e, neste momento, não é possível "identificar grupos de riscos" para os efeitos tromboembólicos.

"Os benefícios são maiores do que os riscos", disse Sabine Strauss, presidente do Comité de Avaliação de Risco, reforçando que a vacina demonstrou nos ensaios clínicos ser "excepcionalmente eficaz" na prevenção de infeções por covid-19.

A Agência destacou novamente que é possível correlacionar os eventos tromboembólicos com a administração da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson. Até ao momento, foram registados oito casos destes efeitos secundários, todos eles nos Estados Unidos. A entidade destaca que os casos foram detetados na sua maioria em mulheres com idades abaixo dos sessenta anos, porém estes primeiros dados podem ser atribuídos a uma prevalência do sexo feminino na adesão à vacinação.

Rui Santos Ivo garantiu ainda que o Infarmed vai continuar a monitorizar a aplicação das vacinas contra a covid-19, com especial atenção para as vacinas da Johnson e da AstraZeneca.

Até sexta-feira, a EMA deverá dar fornecer mais dados não só em relação aos riscos etários relacionados com a vacina da AstraZeneca como também em relação à segunda toma no caso das pessoas que fizeram a primeira toma com AstraZeneca. Nessa altura, o presidente do Infarmed espera ter dados mais concretos para decidir se é possível ou não alargar a utilização desta vacina.

Maria João Caetano