O Ministério Público já instaurou 33 inquéritos por causa de irregularidades na vacinação contra a covid-19. Em resposta à TVI, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que foram abertos sete processos em Lisboa, oito no Porto, dez em Coimbra e oito em Évora.

Além de situações de irregularidades anteriormente confirmadas, foram ainda instaurados inquéritos a Instituições Particulares de Solidariedade Social nas localidades de Castelo Branco, Farminhão, Resende e Trancoso.

Em causa está também a vacinação indevida de responsáveis autárquicos de Lisboa, Portimão ou Reguengos de Monsaraz.

Com mais de mês e meio decorrido do início da vacinação, houve já vários casos em que foi detetada a vacinação indevida de responsáveis de lares, autarquias ou instituições.

Um dos casos mais recentes é o do vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Manuel Castro, que acabou por se demitir no início da semana.

Portugal iniciou a vacinação contra a covid-19 no fim de 2020. Poucas semanas depois começaram a ser reportados casos de vacinação indevida por parte de diretores de lares, altos funcionários da Segurança Social ou de autarcas.

Um caso semelhante chegou também ao INEM, onde a sobra de vacinas acabou por levar à imunização de funcionários de uma pastelaria que ficava perto da sede do instituto no Porto.

Já depois de todas estas polémicas, a Direção-Geral da Saúde acabou por tornar obrigatória a lista de pessoas a convocar caso sobrem vacinas.

Esta inclusão da obrigatoriedade de uma lista de pessoas a convocar no caso de sobrarem doses nas sessões de vacinação surgiu depois da polémica sobre o uso indevido destas doses em pessoas que não pertenciam a grupos prioritários, situações que já estão a ser investigadas pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e pelo Ministério Público.

Catarina Pereira