O ventilador produzido em Portugal designado Atena recebeu na terça-feira a autorização do Infarmed para o seu uso em contexto hospitalar na luta contra a Covid-19, anunciou esta quarta-feira o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento, em Matosinhos.

Numa publicação na rede social Facebook, o CEiiA avança que o Atena foi “autorizado pelo Infarmed para uso no âmbito do procedimento da Covid-19”.

Foi com humanidade, resiliência, paixão e entrega que a comunidade 4Life, através do CEiiA, desenvolveu e produziu em 45 dias o ventilador Atena e recebeu ontem (14 de julho) autorização especial do INFARMED para o seu uso em contexto covid-19”, revela.

Para o centro, este é um “passo importante” para a distribuição nacional e internacional daquele ventilador médico invasivo para dar suporte ao tratamento de doentes com falência respiratória aguda provocada pela covid-19 produzido em Portugal. 

Um momento histórico que valida definitivamente a nossa capacidade para desenvolver e produzir novos produtos críticos para a soberania do país”, adianta o CEiiA.

O ventilador, produzido em 45 dias pelo CEiiA, no âmbito da comunidade 4Life, juntou o conhecimento médico especializado, empresas, universidades e o apoio financeiro de mecenas e de milhares de portugueses.

O equipamento, que foi distinguido entre 349 iniciativas no concurso ‘express’ do programa Caixaimpulse da Fundação da Caixa, conta com o apoio da Clarke Modet para a obtenção da Propriedade Intelectual e Industrial, anunciado pela empresa no dia 21 de maio.

A primeira fase do projeto já foi concluída, com a entrega de 100 unidades que passaram nos ensaios pré-clínicos, e na segunda fase a previsão do CEiiA é produzir mais 400 unidades até setembro.

SPA atribui prémio ao CEiiA e Universidade do Minho

A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) revelou ter atribuído o Prémio de Criatividade Tecnológica ao CEiiA (Centro de Excelência para a Inovação da Indústria Automóvel) e à Universidade do Minho/Escola de Medicina, pelo desenvolvimento de um ventilador pulmonar.

Em comunicado, a SPA destaca que o CEiiA “decidiu aplicar as suas competências e funcionamento em rede para ajudar no combate à pandemia” e, em parceria com a Escola de Medicina da Universidade do Minho, “realizou o feito notável e único de, em apenas 45 dias, desenvolver, produzir e testar um ventilador pulmonar com o intuito de salvar vidas a nível global – o ventilador Atena, que atualmente já está a ser exportado”.

O projeto esteve a cargo de uma equipa de “120 engenheiros e vários médicos e investigadores” e contou com a colaboração “de instituições médicas, com a indústria e especialistas de diversas áreas, incluindo intensivistas, pneumologistas, anestesistas e internistas de hospitais públicos e privados”.     

A SPA lembra que “decidiu instituir um Prémio de Criatividade Tecnológica para premiar investigadores ou projetos que se distinguissem no combate à pandemia [de Covid-19] e à sua expansão”.

Verificou-se dificuldade na seleção do vencedor, de tal forma surgiram ao longo destes meses soluções inovadoras merecedoras da inovadora distinção”, descreve a SPA.

Após ponderação, o prémio foi “atribuído ‘ex aequo’ ao CEiiA e à Universidade do Minho/Escola de Medicina”.

Para a SPA, estas duas instituições “simbolizam o avanço científico e tecnológico, assim como o espírito empreendedor e de solidariedade de que Portugal se pode orgulhar e que os autores portugueses aplaudem com gosto e satisfação”.

A cooperativa dos autores portugueses entregará o prémio “em momento oportuno, até ao final do ano e assim que as condições de saúde o permitirem”.

A SPA refere ainda que o CEiiA, fundado em 1999, “é um projeto inovador que, desde o início, congregou à sua volta empresas, Universidades e Centros de Inovação, com um forte envolvimento de entidades públicas”.

É o maior empregador em Portugal de engenharias aeroespaciais, tem tido um papel muito dinâmico nas áreas da conceção de peças para aviões, carros e bicicletas elétricas, com uma abordagem sempre distinta”, acrescenta.

Citado pela SPA, José Rui Felizardo, CEO do CEiiA, classifica o prémio como “um estímulo para continuar a desenvolver e produzir novos produtos pensados a partir de Portugal.

De acordo com o CEO, o galardão constitui “também um desafio à capacidade de, em colaboração com médicos, investigadores e industriais, continuarmos a “engenharizar” a criatividade na área das ciências da saúde”.

Em Portugal, morreram 1.676 pessoas das 47.426 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ AG