Uma variante do novo coronavírus descoberta pela primeira vez no Reino Unido poderá ter tido origem em cães, revela um estudo de cientistas chineses.

A investigação da equipa de Shanghai está centrada na evolução inicial da variante B117, que causou uma nova onda de casos em vários países. 

Numa primeira fase, os investigadores não conseguiram encontrar traços da variante em amostras de humanos em vários países do mundo.

A descoberta ocorreu quando os cientistas expandiram a investigação para incluir animais. A equipa percebeu que algumas formas iniciais da variante B117 estavam presentes em cães, incluindo uma amostra recolhida nos Estados Unidos em julho do ano passado.

Estas variantes compreendem a maioria ou todas as mutações da variante inicial B117 dentro das populações da família canídea. Estas variantes podem ter sido espalhadas para os humanos após um rápido período de mutação”, escreve o professor Chen Luonan do State Key Laboratory of Cell Biologia, num artigo publicado na última sexta-feira.

Qu Liandong, professor de virologia do Instituto de Pesquisa Veterinária de Harbin e que não esteve envolvido no estudo, disse que evidências mais sólidas seriam necessárias para fundamentar a teoria.

Ainda assim, se mais evidências ecoarem nesse sentido, “teremos um grande problema”, disse Qu, que estuda doenças infecciosas comuns a humanos e animais.

Depois de se acreditar ser um caso isolado em dois pacientes em Kent, no sudeste do Reino Unido, rapidamente espalhou-se a uma forma nunca antes vista nos países europeus.  

Alguns especialistas acreditam que a variante pode ter surgido de comunidades locais sob a pressão seletiva de medicamentos antivirais usados ​​durante a pandemia.