Um novo estudo concluiu que o excesso de massa gorda na zona da cintura está associado a um cérebro mais pequeno. 

A investigação, realizada no Reino Unido, concluiu que quanto maior é a quantidade de massa gorda, menor é o volume de massa cinzenta no cérebro. A massa cinzena é um dos componentes mais importantes do sistema nervoso central, composto pela maior parte das células nervosas presentes no cérebro.

Publicado na revista Neurology, o estudo teve uma amostra de 9.652 pessoas. O processo passou por medir o índice de massa corporal (IMC) - fórmula que envolve o peso e a altura de uma pessoa -  e a relação cintura-quadril - cálculo realizado para verificar o risco de uma pessoa desenvolver uma doença cardiovascular. 

As reduções no tamanho do cérebro aumentam de forma linear à medida que a gordura em torno do meio aumenta", afirmou Mark Hammer, autor do estudo e professor na Universidade de Loughborough, na Inglaterra.

É fundamental perceber os significados dos resultados de IMC: é considerado saudável um resultado com valor entre 18,5 e 24,9; acima de 30 é considerado obeso. Da mesma forma, a pontuação da relação cintura-quadril é igualmente relevante: qualquer valor acima de 0,90 para homens e de 0,85 para mulheres significa que a pessoa tem obesidade central. 

Com base nestes critérios, cerca de um em cada cinco participantes do estudo foi considerado obeso. 

O volume cerebral dos participantes também foi analisado, recorrendo a uma ressonância magnética. A idade, a atividade física e o tabagismo foram os factores considerados por Hammer, agentes que podem levar à redução do volume. 

Pessoas com maior número de IMC e maior relação cintura-quadril apresentam um menor volume de massa cinzenta, já mencionada acima. Hamer garante que "as reduções no tamanho do cérebro aumentam de forma linear à medida que a gordura em torno da cintura aumenta".

Cara Bohon, professora assistente do Departamento de Psiquiatria e Ciência Comportamentais da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, confessa que esta não é uma descoberta "particularmente nova ou surpreendente".

Apesar de já terem sido realizados estudos relativos ao mesmo assunto, os investigadores nunca conseguiram chegar a conclusões suficientemente assertivas. Ao contrário desta amostra de quase 10.000 indivíduos, anteriormente estavam envolvidos muito poucos participantes, o que gerava uma falta de confiança perante os resultados obtidos. 

Não está claro se são as anormalidades na estrutura do cérebro que levam à obesidade ou se é a obesidade que leva a essas mudanças no cérebro", afirma Hammer.

O professor e autor do estudo garante que vai precisar da ajuda de outros cientistas para compreender as possíveis ligações entre a sáude do cérebro e o excesso de peso e gordura.

O responsável vinca, porém, que a obesidade aumenta o risco de doenças neurodegenerativas e que "as pessoas se devem esforçar para manter o peso corporal normal".