O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior disse esta quinta-feira que a Direção-Geral da Saúde (DGS) está a disponibilizar dados sobre doentes com Covid-19, para investigação, com um projeto que recorre à inteligência artificial.

Há várias iniciativas em curso. Por um lado, a DGS disponibilizou os dados, para poderem ser usados. E por outro a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) lançou um concurso para estimular o processamento de informação entre os centros de investigação e as autoridades de saúde e as unidades de cuidados de saúde que tenham informação para trabalharem com investigadores”, explicou o ministro.

Ou seja, acrescentou o ministro, há os dados que a DGS disponibilizou para de uma forma geral serem usados pela comunidade científica, e há um concurso para projetos de investigação a curto, médio e longo prazo, chamado 'AI 4 Covid-19', para se usarem técnicas de inteligência artificial para o processamento de dados.

O projeto, “AI 4 Covid-19: Ciência dos dados e inteligência artificial na administração pública para reforçar o combate ao vírus e futuras pandemias”, pretende apoiar projetos e iniciativas de investigação e desenvolvimento “que possam contribuir para novas respostas a esta e a futuras pandemias, com ênfase no apoio aos cidadãos e aos serviços de cuidados de saúde”, segundo a FCT.

Os projetos podem durar até quatro anos no máximo (três, mais um se mesmo necessário) e têm como limite máximo de financiamento 240 mil euros. O concurso tem uma dotação de três milhões de euros.

Manuel Heitor falava à Lusa no âmbito de uma visita, com as ministras do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, ao Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa, em Lisboa.

O grupo Germano de Sousa é uma das entidades privadas que está a fazer testes ao novo coronavírus, que provoca Covid-19, tendo Ana Mendes Godinho destacado, no final da visita, o trabalho em conjunto para se fazerem testes preventivos nos lares, para se isolarem eventuais casos positivos que sejam detetados.

O programa de testes preventivos em lares está a ser reforçado por se tratar de uma população vulnerável, disse a ministra. Questionada pela Lusa sobre se o programa inclui os lares ilegais a ministra disse que não e explicou que esses estão a ser acompanhados pelas comissões municipais de proteção civil.

O grupo Germano de Sousa, com vários laboratórios e centros de recolha (20 centros só para Covid-19) e um milhar de colaboradores, começou a fazer testes ao novo coronavírus a 9 de março e segundo declarações de Germano de Sousa à Lusa há dias em que faz mais de 2.500 testes à doença, esperando chegar aos 4.000 diários a partir da próxima semana.

Os resultados representam 21,5% dos resultados nacionais, com uma taxa de positividade de 7,36%, disse o responsável, antigo bastonário da Ordem dos Médicos.

Na conversa com os ministros disse que uma zaragatoa, necessária para fazer o teste à doença, custava 20 cêntimos antes da pandemia e custa agora 2,34 euros. E sobre os lares reconheceu que são prioritários. Mas acrescentou: “Tenho visto muita má gestão de lares, em termos de segurança”.

A pandemia já provocou mais de 140 mil mortos e infetou mais de 2,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 450 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 629 pessoas das 18.841 registadas como infetadas.

/ AG