Depois de um primeiro ano pandémico com menos 43,1% de casamentos em Portugal, 2021 prossegue com a mesma tendência, com menos 50% de matrimónios celebrados até março, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

Em janeiro deste ano realizaram-se 812 casamentos, menos 671 do que em janeiro de 2020, ainda antes das restrições impostas pela pandemia. Em fevereiro celebraram-se 420 (menos 1.017, também ainda antes de restrições) e em março 748 (menos 287).

O número de casamentos realizados em 2020 em Portugal desceu 43,1%, segundo o INE.

No ano passado, realizaram-se 18.902 casamentos, ou seja, menos 43,1% do que em 2019, ano em que se realizaram 33.272 matrimónios (menos 3,9% que em 2018).

Abril, com 117, foi o mês com menos casamentos.

O segundo mês com menos casamentos foi maio, com 745, e em terceiro lugar aparece o mês de março, com 1.035.

Os meses do primeiro ano da pandemia de covid-19 em que se registaram mais casamentos foi setembro, com 2.859, seguido de agosto, com 2.589, e outubro, com 2.560.

O INE refere que os dados estatísticos relativos aos casamentos de 2020 devem ser lidos no contexto das "restrições" na vida dos cidadãos, onde se inclui a “mobilidade e o contacto social” devido ao problema de saúde pública causado pela epidemia da doença covid-19 e tendo em conta que, em 18 de março do ano passado, foi decretado o estado de emergência, através de decreto do Presidente da República.

Casamentos adiados já para 2022

O casamento e o setor nupcial enfrentam uma crise sem precedentes há um ano devido à covid-19, com os matrimónios adiados para 2021 e 2022, porque os nubentes preferem fazer a festa de sonho sem desconvidar dezenas de pessoas.

Na Quinta de Sonhos, em Ermesinde, concelho de Valongo, no distrito do Porto, as festas marcadas no ano passado foram adiadas para 2021, e muitas estão já a ser remarcadas para 2022, conta Maria Teresa Dias, proprietária do espaço, que realiza eventos há 21 anos e que registou quebras no negócio na ordem dos 90% em relação aos anos pré-covid.

Os prejuízos são inúmeros em todo o setor nupcial, tanto nas lojas de roupa de cerimónia, com trabalho acrescido para desinfetar vestidos e gabinetes de provas, como nas quintas, em que as regras contra a covid-19 impõem que a partir de segunda-feira haja só 25% da ocupação normal do espaço para a festa, prevendo-se que em maio passe para 50% da ocupação.

Os dois casamentos na Quinta de Sonhos que estavam previstos para este ano com cerca de 100 convidados foram reduzidos para 30 e 40 pessoas. “A perspetiva para 2021 é péssima”, constata Maria Teresa Dias.

“As festas agora são muito pequeninas. Casamentos de 200 pessoas passam para 30 e tal pessoas”, relata Joana Macedo, organizadora de eventos em Vila Nova de Gaia, referindo que um dos principais problemas com que se depara nesta retoma após o segundo confinamento é a dificuldade em obter matérias-primas, como flores naturais. Os floricultores não plantaram por medo de ter de deitar tudo para o lixo como sucedeu em 2020, e este ano há muita falta de flores.

“Uma festa implica muita coisa. Desde iluminação, ‘catering’, serralharia, carpintaria. Carpinteiros que querem ir buscar coisas e os fornecedores estão fechados ou não têm ‘stock’. Não tem sido tão fácil como parece”, desabafa Joana Macedo, emocionada, dizendo que o setor está em “crise” e que é preciso ter “alguma estrutura para vencer a etapa”.

A crise também atingiu a Quinta das Camélias, em Avintes, concelho de Gaia.

Dos 17 casamentos planeados para 2020, apenas dois aconteceram, conta Raquel Nogueira, gestora da estrutura, referindo que os restantes matrimónios agendados foram adiados para este ano e para 2022.

Naquela quinta, um convidado de casamento custa, em média, 125 euros. Se uma festa tiver 150 convidados, são mais de 18 mil euros que se perdem. Contudo, estes prejuízos talvez venham a recuperar-se este ano, porque a quinta tem capacidade para 500 pessoas e mesmo com as regras impostas, no âmbito do combate à covid-19, ainda consegue receber muita gente.

Com a pandemia houve uma redução no mundo nupcial, mas a maioria não desistiu, apenas adiou a boda. Algumas noivas vão casar grávidas, porque o projeto de vida continuou mesmo em tempos de pandemia, conta Cristiana Santos, gerente da loja Pronoivas na Rua de Santa Catarina, no Porto.

Sofia Magalhães, organizadora de eventos e ‘catering’ para casamentos em Matosinhos, relata que tinha a marcação de um casamento para 2020 que depois foi remarcado para este ano por causa das restrições da pandemia, mas, entretanto, a noiva engravidou e a boda foi agora remetida para 2022.

A pandemia fez também com que haja noivas a casar com o segundo filho a vir a caminho, conta, por seu turno, Adelaide Costa, gerente de outra loja de vestidos de noiva, reconhecendo que no setor está tudo complexo para as “noivinhas”.

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/ CM